Chávez defende participação de Bolívia em gasoduto

A participação da Bolívia no projeto de construção e operação do Gasoduto Venezuela - Cone Sul é condição primordial para a realização do empreendimento. A posição foi manifestada há pouco pelo presidente da Venezuela, Hugo Chávez, dita em entrevista coletiva após reunir-se com os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva (Brasil) e Néstor Kirchner (Argentina), em São Paulo. "A Bolívia é prioritária para o projeto, por causa de suas reservas de gás natural, a segunda maior da América do Sul. Com a participação boliviana, o projeto é sustentável, inicialmente, por 20 anos, e vai prosseguir muito além", declarou Chávez, dando mostras de que a expectativa de participação boliviana é maior do que o "convite" informado hoje pelo assessor especial do presidente Lula para Assuntos Internacionais, Marco Aurélio Garcia. Conflito: Bolívia x Brasil O presidente venezuelano não entende haver um clima conflituoso entre os governos brasileiro e da Bolívia, por conta de problemas que a administração de Evo Morales possa causar a empresas brasileiras, sobretudo para a Petrobras. Na visão dele, Brasil e Bolívia podem resolver tais disputas de forma amistosa, com conversas, as quais ele próprio promete auxiliar. Segundo Chávez, o projeto do gasoduto será estendido para todos os países sul-americanos, e uma comissão formada por Brasil, Argentina e Venezuela apresentará o empreendimento para as demais nações do continente. "Vamos fazer uma malha que vai para Colômbia, Equador e Bolívia, e uma comissão vai informar o Chile, o Uruguai, Paraguai, Peru, Suriname, Guiana e França", declarou, em tom jocoso, numa citação da Guiana Francesa. Viabilidade financeira Embora tenha prometido ofertar "gás muito barato", o presidente venezuelano assegurou que o projeto possui viabilidade financeira e que já há investidores privados, inclusive de fora do continente, interessados em participar do empreendimento. "O investimento se pagará em pouco tempo. Creio que vão sobrar recursos", disse. Para a fase de elaboração, os governos de Brasil, Argentina e Venezuela investem, neste momento, segundo Chávez, US$ 10 milhões, e a proposta final será apresentada na primeira quinzena de agosto. Para ele, o projeto terá continuidade independentemente de eventuais mudanças de presidentes em todos os países envolvidos. "A primeira etapa será concluída em 2010, e o projeto só termina em 2017. O projeto transcende períodos constitucionais", observou.

Agencia Estado,

26 Abril 2006 | 17h14

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