Chávez: desvalorização da moeda não trará inflação

Consumidores correram às lojas para comprar televisores e eletrodomésticos temendo alta dos preços

Marcílio Souza, da Agência Estado,

11 Janeiro 2010 | 11h38

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, negou que a desvalorização do peso, anunciada na última sexta-feira, 8, levará a um aumento dos preços ao consumidor. Analistas, no entanto, discordam. Chávez alertou que seu governo enfrentará as varejistas e companhias que implementarem reajustes.

 

"Neste momento não há nenhuma razão para que ninguém aumente seus preços", disse Chávez em seu programa de televisão no domingo, 10. Consumidores correram às lojas para comprar televisores e eletrodomésticos temendo que os preços subam com a decisão cambial. Chávez anunciou na sexta-feira a introdução de um regime de câmbio duplo, com uma taxa de 2,6 bolívares por dólar para bens e serviços "prioritários" e de 4,3 bolívares por dólar para o restante das transações oficiais. O anúncio representa uma desvalorização média de 63,7%. "Eu não entendo por que as pessoas estão em filas. Elas são vítimas de campanhas terroristas da mídia que criam o medo de que os preços subirão", disse Chávez.

 

Diversas câmaras empresariais, incluindo as dos setores aéreo e manufatureiro, alertaram que a moeda mais fraca fará com que as varejistas dobrem seus preços em alguns casos. O governo disse que importadores de bens essenciais, como alimentos e remédios, poderão comprar dólares do governo a 2,6 bolívares cada um.

 

Chávez convocou a Guarda Nacional para ajudar o governo a combater a especulação e as remarcações de preços. O presidente disse que vai "fechar todas as empresas e lojas que participarem da especulação".

 

Economistas, no entanto, acreditam que a desvalorização possa provocar um salto dos preços ao consumidor. Boris Segura, do Royal Bank of Scotland, por exemplo, revisou sua previsão para a inflação este ano no país de 28% para até 40%. Segundo ele, os efeitos inflacionários dependerão, em larga medida, da capacidade do governo de atender os pedidos de dólares dos importadores à taxa oficial de 4,3 bolívares por dólar, de modo que não precisem recorrer muito ao mercado paralelo, onde a taxa é mais alta.

 

Segura estima que cerca de metade das importações receberão a taxa de 2,6 bolívares, enquanto o restante ficará com 4,3 bolívares. O analista acrescentou que o impacto inflacionário da desvalorização será atenuado pela recessão econômica enfrentada pelo país. Segura prevê que a economia vá contrair-se 6% no primeiro trimestre deste ano e começar a recuperar-se no segundo semestre, deixando a expansão do PIB em torno de zero em 2010.

 

Mesmo o ministro de Finanças do país, Ali Rodríguez, disse na sexta-feira que a desvalorização pode acrescentar de três a cinco pontos porcentuais à inflação geral em 2010. As informações são da Dow Jones.

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