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Chávez desvia atenção de problemas de seu país, diz senador

Presidente da Comissão de Relações Exteriores disse que Chávez trata o tema da adesão da Venezuela ao Mercosul como se estivesse falando de seu próprio país

Agencia Estado

04 de julho de 2007 | 17h17

O ultimato do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, ao Congresso brasileiro não passa de "factóide de um líder que tenta desviar a opinião pública dos reais problemas de seu país com o abastecimento de alimentos". A posição foi defendida nesta terça-feira, 3, pelo presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado, Heráclito Fortes (DEM-PI), ao rebater a declaração de Chávez de que dará apenas três meses para o Legislativo ratificar do protocolo de adesão da Venezuela ao Mercosul."Vamos esperar até setembro. Não esperaremos mais porque os Congressos do Brasil e do Paraguai não têm razão política nem moral para não aprovar a nossa entrada", atacou Chávez, em Caracas, sem dar-se conta de que o documento não foi ainda foi enviado pelo Executivo do Paraguai ao seu Legislativo.O senador disse que Chávez trata o tema da adesão da Venezuela ao Mercosul como se estivesse falando de questões internas de seu próprio país, onde "os três Poderes estão sob seu comando". Polêmica com o legislativoTambém apoiou a posição do ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, para quem Chávez deveria dirigir uma "palavra simpática" para distender sua relação como Congresso Nacional. Nesta terça, o presidente venezuelano, contudo, assegurou que não tem porque pedir desculpas ao Congresso Nacional, ao qual acusa de estar dominado por uma direita "oligárquica", que recusaria qualquer mudança no modelo de integração atual.A polêmica com o legislativo brasileiro veio depois que Chávez não renovou a concessão da emissora RCTV. O presidente venezuelano chamou de "papagaios de Washington" os parlamentares brasileiros, que pediram para o governo venezuelano reconsiderar sua decisão.No Congresso brasileiro, parlamentares de diferentes tendências afirmam precisar de "gestos" de aproximação por parte do presidente venezuelano, para superar o clima de mal estar gerado pelas recentes críticas de Chávez à Casa."No Brasil, os Poderes são harmônicos. O Congresso vai analisar essa adesão ao Mercosul ao longo do tempo que for necessário e pelo seu lado permanente - a Venezuela - e não pelo seu lado transitório - o presidente Chávez", declarou Heráclito.Críticas"Lamentável é não haver uma posição unificada no governo brasileiro. O Celso Amorim toma uma posição, e o Marco Aurélio Garcia, outra", disse, referindo-se ao assessor da Presidência para Assuntos Internacionais.O senador argumentou ainda que, se Chávez demonstra tanto desejo de efetivar o ingresso pleno da Venezuela ao Mercosul e impõe até mesmo prazo de tramitação nos Congressos, deveria também aceitar e adaptar seu país às regras do bloco.Uma das principais razões para o Congresso brasileiro vir mantendo o protocolo engavetado nos últimos quatro meses é a relutância da Venezuela em negociar a liberalização de seu comércio com o Brasil e a Argentina e suas curiosas exigências, como a de preservar uma lista permanente de exceções à livre circulação de mercadorias.A ausência de compromissos claros da Venezuela no comércio com a Argentina e o Brasil levou o governo do Paraguai a tomar uma atitude ainda mais cautelosa - a de não remeter o protocolo, assinado em julho de 2006, a seu Congresso. Na semana passada, o chanceler paraguaio, Rubén Ramírez, afirmou que ainda "espera o momento adequado". "É preciso que o presidente Chávez se adapte às regras do Mercosul", assinalou o senador.Democracia arranhadaHeráclito Fortes rebateu também os ataques de dois ministros venezuelanos ao Congresso brasileiro, durante a Cúpula do Mercosul em Assunção, no último dia 28. Na ocasião, eles declararam que a "direita reacionária brasileira" estava influenciando o Congresso a não aceitar o ingresso da Venezuela, por considerá-la uma ameaça à agenda externa do bloco."A ameaça que não queremos ao Mercosul é da democracia arranhada. A questão é de preservação de um sistema que nos custou muito construir", afirmou o senador, referindo-se a iniciativas tomadas pelo governo Chávez que, em seu ponto de vista, contrariam a ordem democrática.Entre elas, a decisão de não manter a concessão para a emissora Rádio Caracas Televisão (RCTV), cujo presidente, Marcel Granier, será ouvido pela Comissão de Relações Exteriores do Senado em breve. Pelas regras do Mercosul, os novos membros devem cumprir com o Protoloco de Ushuaia, de 1998, que contém a cláusula democrática.

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