Chávez diz que Mercosul deve mudar ou "vai morrer"

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, afirmou nesta sexta-feira, 9, que o Mercosul precisa mudar, atendendo aos apelos do Uruguai e do Paraguai, os sócios menores do bloco, que pedem maior liberdade comercial, ou "vai morrer". Chávez está em Buenos Aires para assinar acordos com o governo argentino e liderar um ato de oposição ao presidente dos EUA, George W. Bush, que visita o Brasil e o Uruguai, entre outros países, a fim de melhorar as relações de seu país com a região, atualmente abaladas. "O Mercosul, ou o transformamos ou vai morrer", afirmou o presidente venezuelano a um canal de TV da Argentina. "O Brasil e a Argentina estão sendo chamados a ouvir ... os menores, os países que têm mais dificuldades", acrescentou, depois de dizer que é preciso garantir a colocação, no mercado das grandes economias do bloco, de toda a produção dos países menores. A Venezuela ingressou recentemente no bloco regional, do qual são sócios plenos a Argentina, o Brasil, o Uruguai e o Paraguai. O presidente venezuelano assegurou também que o Uruguai não assinará um tratado de livre comércio com os EUA, um tema que está dividindo o governo socialista do país sul-americano, no qual Bush desembarca na sexta-feira. "Em Caracas, lembro-me que (o presidente uruguaio, Tabaré Vázquez) falou com muita ênfase, chegando a bater na mesa, algo que não é muito do estilo dele, falando enfaticamente que não vai firmar um tratado de livre comércio com os EUA", disse Chávez. Em janeiro, o Uruguai assinou um acordo com os norte-americanos considerado por alguns analistas como um passo prévio rumo a um tratado de livre comércio, algo proibido para os países-membros do Mercosul. Ato contra Bush Em Buenos Aires, nesta sexta, Chávez comandará um ato "anti-Bush" a ser realizado em um estádio de futebol ao qual, segundo prevê, comparecerão milhares de pessoas. No entanto, nenhum membro do governo argentino, comandado atualmente pelo presidente Néstor Kirchner, deve estar presente. O presidente venezuelano afirmou ainda que o líder dos EUA se lembrou tarde da América Latina e aproveitou a entrevista ao canal de TV para criticar tanto os planos anunciados pelos EUA de combate à pobreza na América Latina, quanto os projetos para o desenvolvimento do setor de biocombustíveis. "Pretender substituir a produção de alimentos para os animais e os seres humanos pela produção de alimentos para veículos a fim de dar sustentação ao ´american way of life´ é algo realmente maluco", disse Chávez. "Para produzir 1 milhão de barris de etanol por ano seria preciso semear mais de 20 milhões de hectares de milho", argumentou o presidente venezuelano.

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