Chávez diz que tem 5% de toda a reserva de gás natural do planeta

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, declarou nesta quarta-feira, em entrevista coletiva, que as reservas de gás natural comprovadas do seu país passam os 150 trilhões de metros cúbicos. "A Venezuela possui as maiores reservas de petróleo sul-americanas, atingindo, em número exatos, 151 trilhões de metros cúbicos de gás natural. Temos 5% de toda a reserva de gás natural do planeta", declarou no Hotel Sofitel, em São Paulo, depois de se reunir com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e com o presidente da Argentina, Néstor Kirchner.Segundo Chávez, as reservas servirão para viabilizar a construção do Gasoduto Venezuela-Cone Sul, que poderá custar entre US$ 17 bilhões e US$ 25 bilhões, com a extensão total de mais de 10 mil quilômetros.O presidente da Venezuela informou ainda que a exploração do gás natural passou a ser tratada como "um projeto firme" do governo dele e, por isso, serão descobertas novas reservas em terra e no mar territorial do país, uma vez que a extensão de propriedade venezuelana é de 600 mil quilômetros quadrados e as águas são "pouco profundas".Preço baratoAo garantir a participação da PDVSA Empreendimento, Chávez assegurou que o gás ofertado terá preço "muito barato", embora não tenha fixado o valor. "Se vendêssemos este gás para os Estados Unidos, poderíamos cobrar algo, como hoje está em US$ 11 a US$ 12 por btu (British Thermal Unit. Unidade de medida de energia), podendo chegar até US$ 15/btu. Esse preço de US$ 12/btu nunca chegará aqui no Brasil, apesar de ainda não termos fixado o preço", assegurou.Como justificativa, Chávez afirmou que a Venezuela está mais preocupada com o desenvolvimento econômico e social sul-americano do que com a parte financeira do projeto. "Se fosse só interesse financeiro, não estaríamos aqui (em São Paulo), mas em Washington. E essa é uma das razões dos conflitos entre Venezuela e Estados Unidos, porque eles têm problemas com a matriz energética e contabilizaram nossas reservas como sendo deles", explicou. "Todo o nosso gás natural é usado para consumo interno e não exportamos nada. Por isso, decidimos conversar com nossos países irmãos, antes de iniciarmos nossas exportações. Não queremos que se apaguem as luzes da cidades dos Estados Unidos e até poderemos fornecer gás para elas, mas, em princípio, vamos conversar com os países sul-americanos", acrescentou, com ironia.

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