Chávez e Castro convocam "socialismo latino-americano"

Os presidentes Fidel Castro, de Cuba, e Hugo Chávez, da Venezuela, foram as estrelas da cúpula "alternativa", ou, a "cúpula dos povos", realizada com o lema "A integração é nossa bandeira antiimperialista" na Cidade Universitária, em pleno centro de Córdoba, na Argentina. Os dois convocaram os povos dos países da região a implementar um "socialismo latino-americano".Diante de quase 20 mil pessoas, Chávez, o primeiro orador, declarou que "o império americano está no fim" e que "o século 21 marcará sua morte". Exaltado, disse que os povos latino-americanos precisam "quebrar os esquemas do imperialismo". Segundo o presidente venezuelano, "o capitalismo semeia os antivalores do individualismo, é a causa das guerras, das misérias, da fome, das grandes desigualdades sociais".Fim do capitalismoO líder cubano encerrou o evento pedindo o fim da fome e do analfabetismo na América Latina, e acusou os EUA dos males do mundo. Castro, que saltou de um assunto a outro durante seu discurso, até falou sobre o aquecimento global: "vejam só como está o clima (...) aqui, em Córdoba, no sul da América do Sul, em pleno inverno, um calor de mais de 26 graus. Essa é a prova da mudança climática".Ele disse que seu cálculo sobre o fim do capitalismo era mais otimista que o de Chávez. "Falar que o capitalismo vai acabar no século 21 poder dar a entender que vai durar todo o século. Mas, eu acho que não dura cem anos, nem 70, nem 50 anos (...) vai acabar bem antes. É que o mundo vive uma crise, neste momento, como nunca antes vimos na História". Com gritos de "hasta la victoria siempre!" (Até a vitória, sempre!), lema da revolução cubana, Castro foi saudado pela multidão em frenesi.MatusalémCastro, em uma conversa com jornalistas venezuelanos, ironizou as notícias que aparecem indicando uma grave deterioração de sua saúde: "eu estou morrendo quase todos os dias". Segundo ele afirmou, "de verdade, me sinto muito bem". O líder cubano, que completará 80 anos de vida no dia 13 de agosto afirmou que terá "um décimo da idade de Matusalém". No entanto, afirmou que sente-se calmo em relação à morte: "se você trabalhou todos os dias de tua vida, pode estar sereno".Fazendo uma análise dos 47 anos da revolução cubana, disparou, a modo de desafio: "não há forma de destruir a revolução". Castro também indicou que dificilmente "alguém poderia impedir o futuro de uma América Latina unida".OpositoresEm Buenos Aires, diversos grupos políticos colocaram cartazes nas principais avenidas para criticar a visita de Castro e de Chávez. Os cartazes, da autoria dos grupos "Comando Manuel Belgrano" e "Damas de Branco", de tendências direitistas, com vínculos com as Forças Armadas, ostentavam os dizeres: "Fora ditadores da Argentina! Com o que temos, já nos basta". Outros, indicavam "Liberdade para os presos políticos".

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