Chávez enfrenta crise fiscal com novos impostos

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, propôs hoje ao Congresso a reforma de alguns impostos e a criação de outros tributos, para fazer frente aos problemas fiscais que o governo enfrenta por causa da queda dos preços do petróleo. Chávez admitiu que 2002 será um ano "duro" e que haverá "importantes dificuldades", e pediu o respaldo dos congressistas para aprovar a reforma do Imposto do Valor Agregado (IVA) e a criação do Imposto sobre o Depósito Bancário (IDB) para sanar parte do déficit fiscal. O governo calculou que as reformas dos impostos e os novos tributos vão gerar, neste ano, recursos adicionais da ordem de 1,23 bilhões de bolívares (US$ 1,62 milhões).Também hoje, o Banco Central da Venezuela elevou a taxa de redesconto de 37% para 38,5%, segundo anúncio divulgado no site da instituição. A medida é vista como uma tentativa de reduzir a liquidez e a demanda por dólares, para manter o bolívar dentro da faixa de desvalorização de 10%, prevista pelo Banco Central para este ano.Analistas disseram que, ao elevar o juro, o BC busca reduzir a compra de bolívares com reservas internacionais, que caíram para US$ 11,69 bilhões, de US$ 16,19 bilhões há um ano. O país tem mais US$ 6,23 bilhões em seu Fundo de Estabilização Macroeconômica, estabelecido para casos de crise, se o preço do petróleo cair demasiadamente.A maioria dos analistas acredita, no entanto, que o governo terá de usar uma boa parte destes recursos para reduzir o déficit fiscal, que deverá superar 6% do PIB, estimado em US$ 100 bilhões, depois de ficar acima de 4% em 2001. O bolívar começou a cair mais acentuadamente no último dia 10 de dezembro quando, pela segunda vez na história da Venezuela, os empresários e os sindicatos de trabalhadores uniram forças para realizar uma greve nacional em protesto contra o decreto presidencial que implementou 49 leis que, segundo os manifestantes, aumentaram a interferência do Estado na economia.

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