Chávez, Fidel e MST criticam produção de etanol

A poucos dias da visita do presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, à América Latina, os presidentes de Venezuela, Hugo Chávez, e Cuba, Fidel Castro criticaram a utilização do etanol como alternativa ao petróleo.O Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) também criticou a expansão da indústria da cana na América Latina e a aproximação entre Brasil e Estados Unidos na produção de etanol.O assunto dos biocombustíveis é um dos principais temas da pauta de Bush em sua passagem pelo Brasil, nos dias 8 e 9 de março.Em uma conversa por telefone com o presidente cubano, na terça-feira, Chávez e Castro ironizaram a utilização de alimentos para produção de combustíveis.?Você sabe quantos hectares de milho são necessários para produzir um milhão de barris de etanol??, perguntou Chávez a Fidel, durante a transmissão radiofônica do programa Alô, Presidente. ?Creio que você falou outro dia em 20 milhões de hectares, algo como isso, mas me lembre?, afirmou Fidel, entre risos. Chávez confirmou a cifra, abrindo espaço para as críticas de Fidel Castro.?Bom, a idéia de usar alimentos para produzir combustíveis é trágica, é dramática. Ninguém tem garantia de onde vão chegar os preços dos alimentos, quando a soja está se convertendo em combustível (...) é mais uma das tragédias que acontecem neste momento?, afirmou Fidel. ?Me alegro muito que você tenha levantado a bandeira para salvar a espécie. (...) Porque existem problemas novos, muito difíceis e você está como um pregador, realmente, um grande pregador, convertido em defensor da causa, o defensor da vida da espécie, e, por isso, te felicito?, disse Fidel, que conversou com Chávez durante 32 minutos. Brasil e EUAAs críticas do governo venezuelano à produção do etanol têm marcado os discursos de Chávez na última semana. Em uma entrevista coletiva realizada no sábado, Chávez disse que é ?imoral? destinar alimentos para a produção de combustível para carros.?Um hectare de milho corresponde a 18,8 litros de etanol (...) 70% da água utilizada na agricultura é para a manutenção de monoculturas. Milhões de famílias poderiam ser alimentadas com esse milho que está sendo convertido em etanol?, criticou Chávez. ?Os Estados Unidos precisam reduzir o consumo de energia, essa é a solução." Chávez poupou o Brasil de críticas. Segundo ele, a decisão do governo brasileiro é ?compreensível? considerando que apenas recentemente o país alcançou a auto-suficiência em produção petroleira. Brasil e Estados Unidos juntos respondem por 70% da produção e consumo mundial do etanol.Ambos os países estão negociando um padrão técnico para o etanol, o primeiro passo para a transformação do álcool combustível em uma commodity internacional, que seria negociada em bolsas de mercadorias como o petróleo ou a soja. Para alguns analistas brasileiros, o interesse dos EUA em buscar um acordo com Brasil está relacionado ao interesse de abrir o caminho para o capital norte-americano nas usinas brasileiras, controlando assim a produção do etanol do país.MSTNa quarta-feira, 28, o Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra (MST) divulgou um manifesto assinado por vários movimentos sociais da América Latina criticando a expansão da indústria da cana na região.?O atual modelo de produção de bioenergia é sustentado nos mesmos elementos que sempre causaram a opressão de nossos povos: apropriação de território, de bens naturais, de força de trabalho?, afirma nota à imprensa divulgada pelo MST.O MST também fez críticas à aproximação entre Brasil e Estados Unidos sobre o etanol: ?Essa é claramente uma face da estratégia geopolítica dos Estados Unidos para enfraquecer a influência de países como Venezuela e Bolívia na região.?

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