Chávez não recebe convite para ir a Davos

Se o presidente venezuelano Hugo Chávez é sempre um candidato a atrair as atenções nas cúpulas latino-americanas, o líder de esquerda não é bem-vindo à reunião do Fórum Econômico Mundial de Davos, que ocorre todos os anos no mês de janeiro na Suíça. Chávez foi um dos poucos líderes mundiais que não receberam convite para o evento - que ocorre em duas semanas -, apesar de a América Latina voltar a ser um dos temas principais do fórum. "Queremos pessoas com quem podemos prover um diálogo. Francamente, não queremos discursos de quatro horas. Queremos o Fórum de Davos como um local de diálogo", explicou Klaus Schwab, fundador do Fórum Econômico Mundial.O tema principal da reunião é a mudança de poder no mundo e as novas realidades surgidas a partir de países emergentes. Mas nem isso foi suficiente para convencer os organizadores a convidar Chávez, que tenta promover uma mudança no cenário latino-americano.No total, 24 chefes de Estado e de governo estarão em Davos. A chanceler alemã, Angela Merkel, abrirá o encontro com uma apresentação sobre sua agenda para o G-8. O primeiro-ministro britânico, Tony Blair, vai fechar o evento. Davos contará com o presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, o vice-primeiro-ministro de Israel, Shimon Peres, autoridades iraquianas, primeiros-ministros, presidentes, incluindo Luiz Inácio Lula da Silva, e 85 ministros de todo o mundo.Respondendo a uma pergunta do Estado, Schwab hesitou a confirmar que não havia convidado Chávez. "Convidamos todos os governos que não sofrem embargos da ONU." Seus assessores também tentavam disfarçar o fato de não terem convidado nenhum ministro de Caracas. "Não fazemos distinção de raça, ideologia ou grupo político na formulação dos convites", garantiu um funcionário de alto escalão do fórum.Mas, em conversas paralelas, explicaram que tomaram a decisão de evitar a vinda do presidente venezuelano. Em 2006, o ministro de Energia da Venezuela foi ao evento. Mas, agora, nem o representante do setor vai a Davos, apesar de o tema petróleo ter destaque na agenda. Ged Davis, um diretor do fórum, garante que haverá debate sobre "o socialismo no século 21". Mas lembra que Davos convidou quem julga ser "positivo e que contribua para o diálogo". Para ele, o que deveria estar em debate não são as políticas de Chávez, mas o equilíbrio entre crescimento econômico e redução de pobreza. Schwab disse que enviou convites aos presidentes do Equador, Rafael Correa, e ao boliviano Evo Morales, que não aceitaram. "Acho que não vêm porque acabaram de começar seus mandatos." Alan Garcia, do Peru, Néstor Kirchner, da Argentina, e Michelle Bachelet, do Chile, receberam convites, mas não vão ao evento.O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, afirmou há pouco que chega à Cúpula do Mercosul com "seu espírito, o espírito da integração". "Lula ganhou, eu ganhei, Rafael Corrêa (presidente do Equador) ganhou", disse o presidente ao chegar há pouco no hotel Rio Othon Palace em Copacabana, zona sul do Rio. Não havia nenhum manifestante esperando a chegada de Chávez ao hotel. Com Wilson Tosta

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