Chávez novamente lembra investidores do risco político na AL

Embora já seja visto com uma gigantesca desconfiança pelos investidores internacionais, o presidente venezuelano Hugo Chávez conseguiu surpreender nesta terça-feira, 9, ao anunciar que pretende nacionalizar os setores de telefonia e energia e eliminar a autonomia do Banco Central (BC) da Venezuela, entre outras medidas.Para analistas estrangeiros, embora essas intenções sejam obviamente consideradas negativas, é preciso esperar para se ver se a retórica será realmente traduzida em atos concretos. Mas eles observam que as promessas de Chávez servem como um alerta do risco político que ainda existe na América Latina um fator que tem tido pouco impacto sobre os mercados nos últimos tempos.Alberto Ramos, analista do banco Goldman Sachs, disse que esses anúncios representam "um claro aprofundamento de políticas nacionalistas e intervencionistas, que poderão causar uma deterioração ainda maior na confiança do setor empresarial e nos fundamentos macroeconômicos e institucionais do país".Ramos salientou que Chávez pretende também obter poderes legislativos especiais. "Na nossa avaliação, eles não são justificados pois o país não está sob estado de emergência", disse Ramos. "Poderes especiais para o governo fortaleceriam ainda mais a já alta concentração de poder no Executivo, e continuaria a erodir a arquitetura institucional."Segundo o analista, Chávez já reduziu significativamente a autonomia do BC ao longo dos últimos anos forçando-o a entregar mais de US$ 10 bilhões em reservas internacionais para os cofres do governo. Além disso, o BC tem sido pressionado a continuar adotando uma política monetária considerada excessivamente relaxada pelos mercados, o que resultou em taxas de juros reais negativas. "Transformar o BC num apêndice do governo ou do ministério das finanças certamente traria grandes riscos para o futuro em termos de capacidade e disposição da autoridade monetária controla pressões inflacionárias crescentes", Ramos.Michael Hood, analista do banco Barclays Capital, disse que "o risco político na América Latina, que foi muito falado mas teve pouca influência nos mercados em 2006, retornou aos holofotes" nesta terça com os anúncios de Chávez. Segundo ele, o efeito negativo das medidas sobre o ambiente de negócios poderá reduzir o potencial de crescimento no longo prazo, tornando a estabilidade financeira da Venezuela ainda mais dependente dos preços do petróleo.

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