Chávez quer grupo para combater o ´capitalismo dos EUA´

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, voltou nesta sexta-feira a criticar o imperialismo dos Estados Unidos e defender uma maior participação dos governos na economia da região. Em um longo discurso que durou cerca de 30 minutos (o triplo do tempo usado pelo presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva), Chávez pediu a criação de um grupo de trabalho no Mercosul para debater alternativas ao capitalismo dos Estados Unidos, imposto a "ponta de canhão, golpe de estado, invasão na América Latina no século 20".Ele lembrou que das 300 maiores empresas que negociam no Mercosul, 40% são transnacionais e outras 36% são dependentes dessas grandes companhias. "Essas empresas não têm interesse na integração. Acho que tem é grande interesse na desintegração", afirmou.Segundo ele, o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial são "armas do imperialismo" e precisam neutralizadas. Enfático, Chávez acusou o FMI de defender a autonomia dos bancos centrais como forma de ter mais interferência nas economias da região. "O capitalismo é o caminho da perdição do planeta. Se continuarmos assim vamos acabar com o planeta", previu.Ao se declarar um socialismo novo, Chávez afirmou que o Mercosul não precisa temer ser prejudicado pelo contágio do socialismo adotado pela Venezuela. Ele afirmou que "terminou a época neoliberal na América Latina" e que "acabou a época da ditadura". Chávez defendeu que personalidades como o prêmio Nobel de Economia Joseph Stiglitz, crítico do FMI, sejam convidadas a falar. Ele também citou a obra do secretário-geral do Itamaraty, Samuel Pinheiro Guimarães, como uma referência, fazendo o chanceler brasileiro, Celso Amorim, sorrir.DitaduraChávez defendeu-se de críticas ao seu regime. "A Igreja Católica diz que estamos violando a liberdade de expressão, que estamos em ditadura. Que ditadura? Jamais fechei canal de televisão", disse, argumentando que o que houve foi a não renovação da concessão de uma empresa de televisão.TelevisãoEle voltou a defender que os países se integrem ao projeto de uma televisão para a região, a Telesur, já posta no ar pela Venezuela. Também insistiu na idéia de se criar um Banco do Sul, dizendo acreditar que não se deve "perder mais tempo nisso". O Brasil prefere usar as instituições financeiras já existentes no financiamento da região, mas, para Chávez, "o Banco do Sul é um grito, um alarido de necessidade" para investimentos sociais, incluindo microcrédito.PetróleoChávez afirmou também que as sociedades entre a Petrobras e a estatal venezuelana de petróleo PDVSA em projetos nos dois países é o início do projeto Petrosur, na área de petróleo. No gás, além do projeto do Gasoduto do Sul que iria da Venezuela à Argentina, falou também da possibilidade de construir dutos para levar o gás venezuelano também para a Nicarágua, passando por países como Panamá e Colômbia.

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