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Chávez vai gastar US$ 1 bi em títulos da Argentina

O presidente venezuelano Hugo Chávez desembarcará no próximo dia 6 de agosto na capital argentina para uma visita oficial que incluirá a ostensiva compra de US$ 1 bilhão em títulos da dívida pública. Chávez, que em tom de brincadeira denomina os papéis de "Bônus Kirchner", foi, desde o fim da reestruturação argentina da dívida pública com os credores privados em maio de 2005, o principal comprador dos novos papéis do país. No total, nos últimos dois anos, adquiriu US$ 4,2 bilhões desses títulos.Além de ser um compulsivo comprador dos "Bônus Kirchner", Chávez também se tornou uma espécie de garoto-propaganda dos papéis. Em diversas ocasiões, ele fez alarde das benesses dos bônus argentinos, os quais define como "mais confiáveis" que os títulos de "Mister Danger" (apelido que confere ao presidente americano George W. Bush).Chávez transformou-se no principal salva-vidas financeiro do governo Kirchner graças a essas compras dos Boden 2012 e dos Bonar 2015. Com a nova compra, que deve ser efetuada durante sua visita à Argentina, Chávez terá adquirido desde 2005 um total de US$ 5,2 bilhões.A posição da Venezuela como a maior compradora dos bônus argentinos confere ao governo Chávez uma influência de peso na administração Kirchner. Perante os recentes entreveros entre o venezuelano e o Senado brasileiro, Kirchner - preocupado em manter boas relações com o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (o Brasil é o maior comprador de produtos argentinos, além de ser o maior sócio político e estratégico) e com Chávez (cujo governo não hesita em adquirir os bônus argentinos) - tentou atarefadamente colocar panos quentes no conflito Brasil-Venezuela.CRISE ENERGÉTICAAs obras de ampliação de dois gasodutos na Argentina, das empresas Transportadora Gás do Norte (TGN) e Transportadora Gás do Sul (TGS) - cruciais para remediar a crise energética que assola o país - estão paralisadas desde o surgimento do caso Skanska, o maior escândalo de corrupção do governo Kirchner. O caso envolve a empresa sueca Skanska, acusada de ter pago subornos, supostamente a altos funcionários do governo e a outras empresas que participam das obras de ampliação. O crescimento do escândalo, no primeiro semestre, levou os investidores do fundo das ampliações a suspender os investimentos, já que temem o envolvimentono caso. Além disso, o caso Skanska provocou a paralisação do projeto de uma terceira obra, o Gasoduto do Nordeste, que levaria gás da Bolívia às províncias argentinas na fronteira com o Brasil e à província de Buenos Aires, responsável por 37% do PIB argentino.

Ariel Palacios, BUENOS AIRES, O Estadao de S.Paulo

07 de julho de 2030 | 00h00

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