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Chefe da OCDE afirma que até aqui, 'houve mais ruídos que fatos' na guerra comercial

Angél Melguizo, chefe da unidade da América Latina e do Caribe da OCDE, afirmou que protecionismo é um risco para a região

Gabriel Bueno da Costa, O Estado de S.Paulo

16 Março 2018 | 13h05

O chefe da unidade da América Latina e do Caribe da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), Ángel Melguizo, afirmou em evento nesta sexta-feira, 16, em São Paulo que o protecionismo é um risco para a região. 

"Desde 2010, tem havido mais medidas protecionistas nos países desenvolvidos", comentou. Segundo Melguizo, até agora "houve muitas palavras, mas poucas ações". Para ele, por ora, há “mais ruídos que fatos” na questão comercial dos Estados Unidos. “Ainda é muito cedo para saber o que se concretizará na nova política comercial dos EUA”, afirmou em entrevista ao Estadão/Broadcast. Algumas das medidas protecionistas, caso se concretizem, contudo, afetarão a América Latina, alertou.

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As declarações são dadas após o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciar tarifas à importação de aço e alumínio. O Brasil pode ser um dos principais afetados pela mudança. Agora, o governo americano negocia isenções em alguns países e produtos, mas não está claro como ficará a questão. Além disso, algumas nações já ameaçaram retaliar, o que gera em alguns o temor de uma guerra comercial global.

Reformas.Neste contexto, Melguizo defendeu que os países da América Latina enfrentem uma "agenda de reformas estruturais que segue pendente". Durante seminário organizado pela Câmara Espanhola de Comércio, ele avaliou, porém, que a região passa por um momento de recuperação econômica, com a ajuda também do quadro global, com maior crescimento nos Estados Unidos e na Europa. Ele defendeu que a América Latina e o Brasil devem se concentrar em avançar nas próprias questões, independentemente do que se concretizará ou não das políticas de Washington. “Maior integração regional, tanto do Mercosul quanto da Aliança do Pacífico, é o caminho a seguir.”

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Desafios. O dirigente da OCDE lembrou que os americanos e europeus caminham para endurecer suas condições financeiras, o que pode afetar as regiões que necessitam de fluxo de capital, como o Brasil.

Outra preocupação apontada pela OCDE foi com a questão da produtividade. Segundo Melguizo, é crucial que a região consiga avanços nesse ponto. Sobre as matérias-primas, ele disse que houve uma recuperação desde a fraqueza de anos recentes, mas ressaltou que os países latino-americanos não devem depender de que os preços se recuperem para os níveis mais fortes dos anos 2000.

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Melguizo comentou ainda o momento de reestruturação da economia chinesa, com menor peso gradual da indústria e maior do setor de serviços. Segundo ele, porém, isso preocupa pouco. "Confiamos no processo que ocorre na China", disse. 

Questionado sobre um possível papel da OCDE, caso se confirmem as tarifas dos EUA, Melguizo lembrou que há instituições específicas para isso, como a Organização Mundial do Comércio (OMC), que está dedicada a dirimir disputas do tipo. “Falaremos aos governos que queiram escutar e seguimos convencidos de que é preciso seguir apostando pela abertura”, disse.

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Segundo o dirigente da OCDE, porém, é preciso os países também busquem “políticas nacionais fortes”, para que todos os trabalhadores e empresas afetados pela abertura comercial possam encontrar oportunidades em outros setores.

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