Chefe de gabinete de Obama pede ajuda urgente às montadoras

Prejudicado pela forte queda nas vendas nos EUA, setor automotivo receberá US$ 25 bilhões em empréstimos

Suzi Katzumata, com agências internacionais

09 de novembro de 2008 | 16h19

O chefe de gabinete do presidente eleito Barack Obama exortou uma ação rápida para socorrer a indústria automobilística dos EUA, que está em perigo em virtude da dramática queda nas vendas, corte de empregos e aperto no crédito. "Washington precisa considerar avançar rapidamente os US$ 25 bilhões que foram proporcionados para reequipar as fábricas para, basicamente, frotas de automóveis mais eficientes no consumo de combustíveis", disse Rahm Emanuel em entrevista para a rede CBS.  Veja também:Crise econômica adia projetos defendidos por ObamaPresidente da China diz que pretende cooperar com ObamaObama e Bush preparam 1º encontro pós-eleição nesta segundaBrasil propõe órgão supervisor global para enfrentar criseDe olho nos sintomas da crise econômica  Lições de 29Como o mundo reage à crise  Entenda a disparada do dólar e seus efeitosEspecialistas dão dicas de como agir no meio da crise Dicionário da crise  Em sua primeira entrevista para uma tevê desde que foi nomeado chefe de gabinete de Obama, Emanuel disse que o presidente eleito pediu para sua equipe econômica estudar uma variedade de opções com objetivo de dar impulso à indústria automotiva.  Contudo, ele também exortou para que a administração atual e o Congresso se movam rapidamente para salvar as montadoras em dificuldades, que pediram aos legisladores mais US$ 25 bilhões em empréstimos garantidos pelo governo para evitarem um iminente colapso.  Esse fluxo de caixa se somaria aos US$ 25 bilhões em empréstimos garantidos recentemente autorizados pelo Congresso como parte de um grande pacote de socorro econômico, para ajudar as montadoras a desenvolverem veículos mais eficientes no consumo de combustíveis.  "Como o presidente eleito Obama disse ao longo da campanha e, até recentemente na sexta-feira... a indústria automobilística é uma parte essencial de nossa economia e uma parte essencial de nossa indústria de base", disse Emanuel.  Ele declinou em dizer se Obama apóia um apelo da presidente da Câmara, a democrata Nancy Pelosi, e do líder da maioria no Senado, o democrata Harry Reid, para transferir uma parte ainda maior dos recursos do pacote de socorro de US$ 700 bilhões para o setor automotivo.  "O presidente eleito Obama tem repetido que existe um presidente, uma administração de cada vez e, portanto, você não quer passar na frente disso", disse, enquanto a equipe de transição de Obama se prepara para tomar o lugar da administração do presidente George W. Bush no dia 20 de janeiro. Contudo, Emanuel disse que existem autoridades dentro do governo atual que consideram que a administração federal deve ajudar a indústria automobilística. Na sexta-feira, a maior montadora dos EUA, a General Motors Corp, alertou que poderia ficar sem caixa no primeiro semestre do próximo ano sem uma grande injeção de dinheiro. A GM também informou que havia suspendido as negociações para adquirir outra montadora em dificuldade, a Chrysler LLC.  A Ford Motor Co também anunciou pesadas perdas financeiras e planos para cortar um número adicional de 10% de seu custos com trabalhadores assalariados na América do Norte, citando o impacto de uma desaceleração global que há tinha enfraquecido gravemente a indústria automobilística dos EUA. A Ford, segunda maior montadora dos EUA, disse que perdeu US$ 129 milhões no terceiro trimestre e que tinha consumido US$ 7,7 bilhões do caixa. Ajuda alemã Os bancos das montadoras BMW, Daimler e Volkswagen querem usar as garantias do fundo de socorro do governo da Alemanha, segundo informa a revista alemã Der Spiegel em sua edição deste final de semana. De acordo com a reportagem, as três montadoras concordaram em requerer garantias para vários bilhões de euros. Uma porta-voz da BMW disse neste domingo (9) que seu executivo-chefe financeiro, Friedrich Eichinger, havia dito anteriormente que a companhia estava considerando usar as garantias de crédito para suas operações de financiamento, mas acrescentou que nenhuma decisão havia sido tomada ainda. A Daimler e a Volkswagen não estavam disponíveis para comentar a reportagem da revista. As informações são da Dow Jones.

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