Informação para você ler, ouvir, assistir, dialogar e compartilhar!
Estadão Digital
Apenas R$99,90/ano
APENAS R$99,90/ANO APROVEITE

Chefe do BC americano diz que reduzir deficit é 'prioridade'

Ben Bernanke defendeu política de juros baixos e estímulo e disse que tendência é inflação estável no país.

BBC Brasil, BBC

27 de abril de 2011 | 19h23

O presidente do Fed (Federal Reserve Bank, o banco central americano), Ben Bernanke, defendeu nesta quarta-feira o papel do Banco Central dos EUA no comando da economia americana e disse que a "prioridade" principal é reduzir o deficit do país, estimado em US$ 1,4 trilhão (cerca de R$ 2,2 trilhões).

Em coletiva inédita após uma reunião do comitê do Fed, Bernanke disse que o Banco Central está fazendo, com sua política de juros baixos e estímulo monetário, o possível para manter o crescimento do emprego no país sem correr o risco de que a inflação aumente nos EUA, num momento de subida global dos preços do petróleo e seus derivados e de commodities agrícolas.

"Ainda que seja muito importante ajudar a economia a criar empregos e a apoiar a recuperação (econômica), acho que qualquer chefe de banco central entende que manter a inflação baixa é essencial para uma economia bem-sucedida", disse.

Ainda assim, ele disse acreditar que o preço do petróleo não se manterá no atual patamar e que a inflação nos EUA tende a se manter estável (entre 2,1% e 2,8% ao ano, prevê o Fed).

Crescimento menor

Na reunião que precedeu a coletiva, o Fed reduziu a previsão de crescimento dos EUA para entre 3,1% e 3,3% em 2011 (a previsão anterior era de 3,4% e 3,9%) e manteve as taxas de juros entre zero e 0,25%.

A redução é atribuída a quedas nas exportações, a reduções nos gastos de defesa e a ao fraco desempenho do setor de construção civil.

Bernanke sinalizou que os juros devem permanecer baixos e disse que os EUA manterão sua política de estímulo monetário (chamada de quantitative easing, em que o Banco Central compra títulos governamentais para aumentar o dinheiro em circulação). Em junho, o Fed completará uma segunda rodada de compras, que totalizarão US$ 600 bilhões (cerca de R$ 938 bilhões).

A política monetária pretende, segundo o presidente, estimular o mercado de trabalho, que "não está em boa forma". Atualmente, a taxa de desemprego nos EUA ronda os 9%.

Depois de junho, os indicativos são de que o governo não injetará mais dinheiro na economia.

'Prioridade'

No último dia 18, a agência de classificação de risco Standard & Poor's rebaixou a perspectiva da dívida americana, de "estável" para "negativa".

O alto deficit americano é a prioridade e o "mais importante problema de longo prazo dos EUA", segundo Bernanke, por ser insustentável no nível atual.

Sua entrevista coletiva não tem precedentes: em geral, após reuniões de seu comitê, o Fed envia apenas comunicados por escrito para jornalistas.

A iniciativa é vista como uma tentativa de ganhar apoio público para as medidas de estímulo promovidas pelo banco, na avaliação do jornal The New York Times.

Para a analista de negócios da BBC em Nova York Michelle Fleury, o objetivo de Bernanke é restaurar a confiança dos americanos no Fed, abalada pela crise financeira. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.