Chefes de Estado apareceram, mas faltam investimentos

Para o FMI, país deve registrar recessão de 1% neste ano, o que ainda deixa os investidoresna expectativa

Rodrigo Cavalheiro / BUENOS AIRES, O Estado de S.Paulo

06 de março de 2016 | 21h20

Barack Obama estará na Argentina nos dias 23 e 24. Já passaram por Buenos Aires após a eleição de Mauricio Macri o presidente francês, François Hollande, e o primeiro-ministro italiano, Matteo Renzi, todos com delegações de empresários, pesquisadores e promessas. Na edição de ontem, o jornal La Nación questionava “Os presidentes chegaram, e os investimentos?” Segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI), a Argentina deve ter recessão de 1% em 2016.

O próprio governo parece admitir que não será no curto prazo. Criou um Conselho de Produção onde juntou líderes de empresas de consultoria e universidade para traçar planos que cruzem as prováveis demandas do mundo para o qual a Argentina está se abrindo com o potencial natural argentino.

O economista Dante Sica, da consultoria Abeceb, está no grupo. “Este será um ano de números magros, pois o programa precisa ser tolerável socialmente e ter viabilidade política. Houve uma mudança de 180 graus após 6 anos de forte intervenção. Os investidores criaram expectativa porque viam uma América Latina com freio ao crescimento e um Brasil que caía. A Argentina colocou-se à cabeça da mudança, passando de um regime populista para um muito mais amigável aos mercados”, diz Sica. Ele ressalta como mudança radical em seu país a aplicação de metas de inflação, o controle de agregados monetários, o aumento da taxa de juros real e o compromisso de redução do déficit a 1% em quatro anos.

Ajuste. “A inflação ainda sofrerá com a reacomodação dos preços relativos e o emprego deve cair, principalmente o metalmecânico pela desaceleração no Brasil. Precisamos ajustar as expectativas. Os investidores não podem ver só números no curto prazo, que não serão bons”, afirma o economista.

Para ele, a política externa de Macri, que se afastou do núcleo bolivariano e se aproximou das potências ocidentais, teve impacto imediato e de certa forma aumentou a cobrança por algo equivalente na economia.

A economista Marina Dal Poggetto aponta o setor público como um grande problema para Macri. O governo informa um déficit fiscal de 7% do PIB. A vantagem do país, segundo ela, é ter uma dívida baixa, de 10% do PIB, e um risco país hoje inferior ao do Brasil. “Se a taxa de bônus argentinos e o risco país baixarem, na segunda metade do ano alguns projetos de investimentos deveriam compensar a queda do consumo. O problema é que o consumo representa 80% do PIB e os investimentos, menos de 20%”, compara.

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