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Chega a 17 número de presos por golpe contra investidor

Chegou a 17 o número de presos envolvidos no esquema de estelionato que passava as fronteiras do Brasil e chegava a investidores que atuavam no mercado financeiro dos Estados Unidos, desmantelado hoje pela Polícia Federal (PF). A operação, batizada de Pirita, que ocorreu, simultaneamente, em São Paulo, Rio de Grande do Sul e EUA, teve como objetivo desmontar uma quadrilha que aplicava golpes em investidores europeus, asiáticos e australianos - tanto pessoas físicas como jurídicas. Pirita é um mineral usado na fabricação de ácido sulfúrico, e que, por sua cor amarela e brilho metálico, recebe a denominação popular de ouro dos trouxas.O bando contava com o apoio de um escritório instalado na capital paulista, chamado boiler room, que contava com equipamentos de alta tecnologia e operadores de telemarketing bilíngües. Dos 27 mandatos de prisão temporária e três de prisão preventiva expedidos pela juíza Sílvia Maria Rocha, da 2ª Vara Criminal Federal, nas três localidades, 17 haviam sido cumpridos até o início desta tarde - 15 em São Paulo e dois em Miami (EUA). Entre os detidos, estão um advogado, doleiros e um dos suspeitos de chefiar a quadrilha. Além disso, foram determinadas 35 ordens de busca e apreensão.Segundo a PF, o golpe da quadrilha era arquitetado da seguinte forma: os integrantes alugavam escritórios na capital paulista - recentemente transferidos para Buenos Aires e com uma filial no Estado brasileiro - e, por meio de páginas fraudulentas na internet e do sistema Voice Over Internet Protocol (Voip), eles entravam em contato com os investidores dos países e se predispunham a comprar ações de baixa liquidez a valores bem acima dos oferecidos no mercado. O Voip é uma tecnologia que permite a transmissão de voz por IP (Internet Protocol), tornando possível a realização de chamadas telefônicas (com qualidade) pela internet."Ainda não sabemos como eles conseguiram a lista desses investidores. Estamos investigando a origem dessa lista", afirmou a delegada da Polícia Federal (PF) e coordenadora das investigações, Karina Mirakami Souza. Para efetivar o negócio, o investidor era obrigado a depositar, antecipadamente, o valor referente a taxas de corretagem e impostos em contas nos EUA, com a promessa da restituição do dinheiro, o que não acontecia. Esses recursos eram transferidos para outras contas com o objetivo de não deixar nenhum rastro. "Eles lucravam com esse depósito antecipado. Eles enrolavam as vítimas, comportamento típico de estelionatário", declarou Karina. Por fim, o montante chegava ao Brasil por meio de doleiros, que eram responsáveis por repassá-lo a uma equipe especializada em lavagem de dinheiro.

AMANDA VALERI, Agencia Estado

25 de fevereiro de 2008 | 20h20

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