Chega a geração de executivos versão 3.0

Empresas buscam CEOs que trabalhem em equipe

Nelson D. Schwartz, The New York Times, O Estadao de S.Paulo

06 de dezembro de 2007 | 00h00

Está chegando a época de uma versão 3.0 de CEOs? A primeira geração deixou sua marca nos anos 90 com executivos como Sanford Weill, Gerald Levin, Jack Welch e Michael Eisner, que construíram verdadeiros impérios nas empresas que comandavam: Citigroup, Time Warner, GE e Disney. Quando as ações dessas empresas perderam valor no início desta década, após o estouro da bolha de tecnologia e de vários escândalos corporativos, um novo grupo surgiu: o do executivo "conserta-tudo", os homens que chegaram para reparar os estragos. Executivos como Charles Prince III, do Citigroup, e Richard Parsons, da Time Warner, cujo trabalho foi corrigir os excessos e erros dos seus predecessores - embora, em relação à liderança, estivessem em um patamar inferior ao de seus antecessores. Agora, especialistas em administração e observadores do mundo corporativo americano dizem que o ambiente atual exige, e está atraindo, um outro tipo de diretor executivo: o construtor de equipes."Alguém que consiga reunir uma equipe que funcione de uma maneira tão uniforme como um sexteto de jazz", disse Warren Bennis, professor de administração na Universidade da Califórnia.Na semana passada, Charles Prince e Parsons anunciaram seu afastamento. A saída abrupta de Prince ocorreu após os enormes prejuízos que derrubaram as ações, já estagnadas, do Citigroup, enquanto que Parsons se aposenta no final de 2007, depois de cinco anos na direção, período em que estabilizou a empresa mas não conseguiu que as ações da Time Warner subissem.Um terceiro diretor executivo, Stanley O? Neal, da Merrill Lynch, foi forçado a se demitir no mês passado depois da empresa anunciar perdas de US$ 8,4 bi.O´ Neal aumentou substancialmente as receitas e lucros da Merrill Lynch durante seu mandato, mas foi criticado por forçar a saída de subordinados que considerava rivais, enquanto que vários altos executivos deixaram o Citigroup, quando Charles Prince estava na direção.Agora ambas as empresas estão em busca de substitutos permanentes."Eles precisam não só ter a capacidade cognitiva que Stan O´ Neal tinha, para dirigir uma grande empresa, mas também serem capazes de fazer as pessoas sentirem que estão trabalhando juntas", disse Bennis.Merrill Lynch e o Citigroup devem pensar em procurar executivos como A.G. Lafley, da Procter & Gamble, ou James McNerney Jr., da Boeing, como arquétipos do novo modelo, segundo Bennis."Ambas as empresas sentem a necessidade de garantir para os cem funcionários que estão no topo que eles estão no barco juntos, que seus destinos estão correlacionados", disse Bennis. "É isso que será preciso para se ter sucesso neste século".Lafley e McNerney foram muito elogiados não só pelo seu estilo pessoal mas também pelo seu desempenho, com os bons resultados das ações da Procter & Gamble e da Boeing, que superaram com facilidade as do Citigroup e Time Warner, e também as do índice referencial de 500 ações da Standard & Poors, nos últimos dois anos.Não é nenhuma coincidência, acha Michael Useem, professor de administração da Wharton School, e diretor do Centro para Liderança e Mudanças de Administração. "A pesquisa acadêmica diz que, se você quiser prever como será o desempenho financeiro num prazo de um a três anos, precisa conhecer a equipe do topo da administração", disse ele.

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