Chega de promessas. Paraguaios querem "propostas concretas"

O chanceler Celso Amorim encontrará, em sua primeira viagem oficial ao Paraguai, que começa neste sábado, uma classe empresarial ávida para saber o que o Brasil oferecerá imediatamente para permitir maior acesso dos produtos do país vizinho ao mercado brasileiro. A maioria dos líderes empresariais reclama dos entraves aos produtos paraguaios. A insatisfação deles levou o presidente Nicanor Duarte Frutos a comunicar ao presidente Luis Inácio Lula da Silva, no mês passado, em Viena, que o Paraguai pedirá autorização ("waiver") ao Mercosul negociar separadamente acordos de livre comércio. "Esse pedido é inevitável", disse na ocasião Duarte Frutos."Chega de promessas. Queremos propostas concretas", afirma o presidente da Câmara de Anunciantes do Paraguai (CAP), Carlos Jorge Biedermann, um dos mais severos críticos do Mercosul. Em março, ele afirmou ao jornal ABC Color, de Assunção, que mil empresas paraguaias fecharam as portas devido aos entraves criados pelo Mercosul - Brasil e Argentina, principalmente - aos produtos daquele país. "Se não se encontrar a solução (para a falta de acesso aos mercados do Mercosul), que pelo menos nos permitam buscar alternativa", diz.Prós e contras A chanceler Leila Rachid comandou em abril um painel com os líderes empresariais para debater os prós e contras da permanência do Paraguai no bloco econômico do Cone Sul. O encontro não foi conclusivo, mas revelou para que lado pende o humor dos empresários: apenas o presidente da Associação Rural, Alberto Soljancic, defendeu a permanência do país no bloco. Documento elaborado durante o encontro sobre as dificuldades de acesso dos produtos paraguaios ao mercado brasileiro será entregue a Amorim.Relatório do Banco Central do Paraguai demonstra que a balança comercial é francamente favorável ao Brasil. No ano passado, o Paraguai exportou US$ 295,9 milhões para o Brasil e importou US$ 803,5 milhões. Oitenta e oito por cento das exportações paraguaias são de matérias-primas.O presidente da União Industrial Paraguaia, Gustavo Volpe, admite, no entanto, que o Brasil tem adotado nos últimos meses uma atitude "totalmente diferente" em relação aos paraguaios. A Comissão de Monitoramento de Comércio fará em 8 de julho sua quarta reunião e o governo brasileiro, segundo ele, está oferecendo apoio técnico e financeiro para as empresas paraguaias, por meio do Sebrae e Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico (BNDES). Mas ele ressalva que os entraves fiscais e burocráticos continuam sendo o maior empecilho para a entrada dos produtos paraguaios no mercado brasileiro.

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