Ações

Empresas de Eike disparam na bolsa após fim de recuperação judicial da OSX

Chegada ao Brasil só está prevista para 2020

Mas em 5 anos venda do carro elétrico pode representar 30% dos novos, dizem montadoras

, O Estadao de S.Paulo

08 de agosto de 2009 | 00h00

A previsão de algumas montadoras é de que o carro elétrico só chegará ao Brasil, em maior escala, a partir de 2020. Uma vez disponível, porém, poderá representar 30% da venda de carros novos num prazo de cinco anos. Até lá, o uso será restrito a nichos específicos, como os modelos da Fiat usados por concessionárias de energia.Em parceria com a Itaipu Binacional, a Fiat brasileira criou tecnologia usada atualmente em 21 modelos Palio e Palio Weekend movidos a eletricidade. Até julho de 2010, serão 50 veículos, informa Leonardo Cavaliere, supervisor de inovação e veículos especiais da Fiat.O objetivo é promover uma evolução no desempenho do veículo para que futuramente a tecnologia possa ser usada em grande escala, diz Cavaliere. O kit elétrico usado nos veículos, composto de motor, bateria e conversor de energia, é importado da Suíça, o que encarece o produto. Um Palio Weekend normal custa cerca de R$ 45 mil, enquanto o elétrico não sai por menos de R$ 145 mil. O modelo da Fiat é abastecido em tomadas de 100 ou 220 volts. Oito horas de carga são suficientes para rodar 120 quilômetros. O custo de um quilômetro rodado com gasolina é de R$ 0,25. Com álcool, custa R$ 0,18 e, com energia, R$ 0,05.Para Cavalieri, se 5% da frota de carros novos for movida a eletricidade, o País não terá nenhum risco de falta de energia, principalmente se a recarga for feita no período noturno.Eude Oliveira, especialista na área de eletroeletrônica da Ford do Brasil, diz que a filial acompanha os trabalhos de desenvolvimento da matriz, inclusive enviando técnicos aos EUA. "Todos os estudos envolvendo tecnologias alternativas têm nossa parceria", diz ele, que também coordena estudos para avaliar se são ou não viáveis de aplicação aqui, em parte por causa do custo.Oliveira acredita que a mudança na forma de abastecer o automóvel é grande no caso dos consumidores americanos, acostumados ao uso irrestrito da gasolina. Já os brasileiros, em sua opinião, estão mais preparados porque o País tem uma diversidade maior ao dispor dos modelos flex - abastecidos com álcool ou gasolina -, do gás natural e do diesel e biodiesel, nos casos dos veículos pesados.Na opinião do diretor da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE) e responsável pelo grupo de estudos de veículos elétricos da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj), Luiz Artur Pecorelli Peres, o Brasil precisa mudar sua legislação automotiva para viabilizar o carro elétrico.Esse tipo de veículo é classificado como "outros", o que impõe alíquota de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) maior do que a aplicada para modelos a álcool, gasolina e gás. A própria Uerj prepara proposta a ser levada ao governo para mudar "essa legislação obsoleta", diz. Peres defende incentivos para esse tipo de veículo, a exemplo do que ocorre em vários países. "O Brasil tem condições de desenvolver veículos elétricos próprios e até exportar, sem depender da tecnologia de fora", afirma Peres, que estuda o tema há 20 anos.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.