REUTERS/Brendan McDermid
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Chegada do Uber ao Brasil reduziu mais da metade das corridas de aplicativos de táxi, conclui estudo

Pesquisa indica que cidades do Norte e Nordeste foram as que mais apresentaram redução

Paulo Oliveira e Neila Almeida, especial para o Estado, O Estado de S.Paulo

12 Abril 2018 | 15h03

Uma estudo divulgado nesta quinta-feira, 12, pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) constatou que a chegada do Uber ao Brasil causou, em média, uma redução de 56,8% das corridas de aplicativos de táxis. A pesquisa foi realizada em 590 municípios, entre 2014 e 2016, e levou em conta critérios como número de corridas realizadas, mês e ano em que cada cidade passou a ser atendida, valor médio da corrida em reais e distância média percorrida.

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O levantamento do Cade sugere que “além de conquistar usuários de outros modais de transporte que não utilizavam serviços de aplicativos de táxi, o Uber também rivalizou com esses serviços, conquistando parte de seus usuários”. Foram considerados como aplicativos de táxi as seguintes empresas: EasyTaxi e 99Taxis.

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A pesquisa concluiu que o serviço de transporte individual traz mais inovações aos consumidores, o que torna defasada a regulação atual dos táxis. O documento elogia a aprovação, em março deste ano, do projeto de lei que regulamenta os aplicativos de transporte individual de passageiros. “É necessário o amadurecimento do debate na direção da desregulamentação gradual dos serviços de táxi, em especial, nos aspectos relacionados a barreiras à entrada e liberdade tarifária”, afirma o Cade.  

O estudo mostra que, se for levado em conta só as capitais, o impacto concorrencial é menor. Nessas cidades, a queda no número de corridas de táxi foi de 36,9%, em média. No entanto, segundo o Cade, “quando se examina apenas as capitais das regiões Sudeste, Sul e Centro-Oeste, o efeito da entrada do Uber sobre as corridas de táxi é menos intenso (redução de 26,1%) quando comparado aos resultados das capitais do Norte e Nordeste (redução de 42,7%)”.

De acordo com a pesquisa, a maior queda do número de corridas de aplicativos de táxis nas capitais das regiões Norte e Nordeste se deve à “entrada tardia do aplicativo Uber nesses municípios (entre março e dezembro de 2016)”. Porém, “quando se observa o grupo das capitais das regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, verifica-se que as entradas se iniciaram em maio de 2014”.

O levantamento mostrou que apenas nas regiões sudeste e centro-oeste houve uma reação das empresas de táxi para reduzir os valores em 12,1%, o que “indica que o setor de táxi por aplicativo reagiu oferecendo descontos nos valores das corridas após um período mais longo de exposição a um ambiente competitivo”.

A primeira cidade brasileira a receber o aplicativo de transporte individual Uber foi o Rio de Janeiro, em maio de 2014. No Nordeste, Recife foi o primeiro município a contar com o serviço, em abril de 2016; e no Norte, foi Belém, a partir de fevereiro de 2017.

O Uber está presente em cerca de 633 cidades de 82 países e é considerada a startup com maior valor de mercado, chegando a aproximadamente US$ 70 bilhões.

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Em nota, a Easy, um dos maiores aplicativos de transporte da América Latina, que opera somente com táxi no Brasil, afirmou que corrobora com a conclusão do órgão público e apoia uma revisão das normas vigentes para a categoria. 

A 99, que reúne carro particular e táxi na mesma plataforma, também avaliou de maneira positiva o estudo por indicar a necessidade de flexibilizar a regulamentação do táxi para aumentar sua competitividade, “tanto em relação às barreiras de entrada (alvará) quanto à possibilidade de tarifa dinâmica. 

A Uber ressaltou que o estudo foi focado em aplicativos de táxi, e não no próprio mercado de táxi. E que o dado de que a cada 1% de aumento de viagens por Uber houve uma diminuição de apenas 0,09% nas viagens de aplicativos de táxi “indica claramente que mais pessoas passaram a usar esta alternativa complementando outras soluções de transporte, tal como o carro particular”. 

Para o presidente do Sindicato dos Taxistas de São Paulo (Sinditaxi), Natalício Bezerra, os aplicativos não substituem a qualidade do serviço de táxi. “É mais barato, mas o atendimento é piorado”, afirma.

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