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Chegou o momento de investir em ETF de Bitcoin?

O investidor de menor potencial de diversificação deve ponderar muito antes da aplicação

Fábio Gallo*, O Estado de S.Paulo

06 de novembro de 2021 | 04h00

Investimento em criptomoedas exige sangue-frio. A volatilidade causa arrepios. Por outro lado, existe a grande capacidade de bater recordes. Em 20 de outubro, o bitcoin atingiu seu maior valor: US$ 66.974,77. Há um ano, a cotação era de US$ 13.299,04.

Quem investiu em novembro de 2019 e vendeu no topo ganhou mais 400% – rentabilidade para não se botar defeito. Mas quem comprou na alta agora está com perda de 9%.

No entanto, o rali do ativo não é a grande notícia. O que fez adeptos do bitcoin vibrarem foi a aprovação pelo principal órgão do mercado de capitais norte-americano, a SEC, do primeiro ETF (Exchange Traded Fund), que segue a evolução de preços do Bitcoin.

Foi aprovado o ProShares Bitcoin Strategy ETF (BITO), que investe em contratos futuros de Bitcoin. Vários fundos referenciados a criptomoedas tentaram aprovação pela SEC anteriormente, sem sucesso devido às desconfianças do órgão regulador. Por isso, essa aprovação é vista com entusiasmo.

Analistas internacionais veem nessa aprovação um passo decisivo para a denominada “criptolegitimidade”. Eles acreditam que essa indústria atrairá muitos outros investidores e atingirá maiores volumes.

O BITO chegou às bolsas em 19 de outubro e, quebrando todos os recordes, acumulou mais de US$ 1 bilhão em dois dias.

O investimento por meio de ETF de moedas virtuais ainda não está presente no Brasil. Mas esse movimento gera credibilidade e pode levar as pessoas ainda reticentes a buscar o mercado de moedas virtuais.

Isso pode ocorrer, mas o investidor, particularmente o de menor potencial de diversificação da sua carteira, deve ponderar muito antes de investir.

Lembrando que o Bitcoin – e outras moedas virtuais – não está sujeito a nenhuma regulamentação. Como mencionado por William Eid (FGV), esse tipo de investimento tem alto custo de oportunidade, porque não paga juros ou dividendos. 

Os grandes atrativos desse ativo são a portabilidade e o anonimato das transações. Porém, o investidor deve considerar que as moedas virtuais ainda são vistas com desconfiança por autoridades regulatórias de vários países.

Exceção é El Salvador, que fez do Bitcoin uma moeda oficial. O valor das moedas virtuais é dado pelas negociações de mercado, como ocorre com ações, ouro e outros ativos. Mas a criptomoeda adquire alta volatilidade apenas por comentários, como aconteceu em maio, quando Elon Musk disse que a Tesla não aceitaria mais pagamentos em Bitcoin.

Para alguns, o bitcoin é “ouro digital”, para outros, é apenas um ativo altamente especulativo. 

* PROFESSOR DE FINANÇAS DA FGV-SP

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