Cheney intercedeu pela Enron no ano passado

O vice-presidente dos EstadosUnidos, Dick Cheney, conversou com membros do governo e daoposição da Índia no ano passado sobre a participação da Enronna construção de uma usina elétrica avaliada em US$ 2,9 bilhões.Mas a Casa Branca garantiu hoje que o objetivo dele era diminuiros riscos de prejuízos para os EUA no investimento. Segundo o porta-voz da Casa Branca, Ari Fleischer, aintervenção de Cheney a favor do gigante energético, o maiorfinanciador da campanha do presidente George W. Bush, foijustificado, pois a Usina de Dabhol, a 250 quilômetros deBombaim, foi financiada em parte por intermédio de uma agênciapública que ajuda empresas americanas a investirem nos países emdesenvolvimento, a Opic. "Os contribuintes americanos se expõem a riscos e podemperder com a Opic", disse Fleischer. "Não é raro que empresastenham problemas que exijam contatos entre as autoridadesamericanas e membros dos governos desses países para diminuir osriscos dos contribuintes." O porta-voz assegurou também que aconversa de Cheney não teve nenhuma relação com as contribuiçõeseleitorais.A Casa Branca tem procurado se afastar do caso Enron, que pediufalência em dezembro. Mas a crise política fica cada vez maisampla, à medida que surgem novos envolvimentos de autoridadesamericanas. Hoje foi divulgado mais um fato sobre ligações do presidentecom a Enron. Em 1988, Bush, que na época era apenas filho dovice-presidente George Bush, telefonou para o então ministro deObras e Serviços Públicos da Argentina, Rodolfo Terragno, a fimde interceder por um projeto da Enron para construir uma usinatermoelétrica no país. "Sei que você tem em seu escritório umprojeto da Enron. Você e seus assessores avaliaram o projeto. Eusó quero dizer que, na minha opinião, seria muito benéfico paraseu país. Creio que, além disso, fortaleceria os vínculos entreos EUA e a Argentina", disse Bush a Terragno. Ele teria seidentificado como "filho do vice-presidente Bush". Terragno, que é senador, disse ao jornal argentino La Nácion,que o pedido não foi atendido no governo de Raúl Alfonsín porqueo projeto não interessava à Argentina. Mas a obra foi iniciada em 1990, durante o governo CarlosMenem, que o declarou de "interesse nacional". "Não sei sehouve algum telefonema", disse Terragno, da oposicionista UniãoCívica Radical. Associações - No começo do ano passado, um advogado da Enron,Jordan Mintz, deu o alarme sobre as associações da companhiaenergética com outras empresas, informou hoje o site de notíciasSalon.com. Essas ligações permitiram a Enron manter parte desuas dívidas fora dos registros contábeis, obter maioresqualificações de crédito e melhorar a imagem da empresa entre osinvestidores. Segundo o Salon.com, Mintz, preocupado com a legalidade dessasoperações, contratou, sem conhecimento da Enron, uma firma deadvogados para analisar a questão. A Fried Frank Harris Shriver& Jacobson encontrou irregularidades e recomendou que asassociações fossem interrompidas. Mintz, então, escreveu ummemorando aos executivos da Enron expondo essas recomendações,que aparentemente foram seguidas.

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