Cheques acima de R$ 5 mil tendem a ser extintos

O sistema de compensação de cheques do Banco do Brasil tende a ser esvaziado em termos de valores movimentados este ano com o rápido desaparecimento dos cheques com valores superiores a R$ 5 mil. Dados do BC mostram que os cheques com valores superiores a este representam 1,2% do número de cheques compensados e nada menos que 69% do valor total movimentado nas câmaras de compensação. O BC quer retirar também da compensação os Docs (documentos de crédito) com valores acima de R$ 5 mil que representam 14,7% do número de documentos e 96% do valor total dos documentos compensados. Tomando-se apenas os cheques e DOC de valor acima de R$ 5 mil, observa-se que correspondem a 1,3% do total de documentos compensados e 70% do valor. Ao eliminar os documentos (cheques e Docs de valor mais alto) do sistema de compensação, o BC quer reduzir o risco do governo federal e passar a garantia para instituições privadas. Em seu pleno funcionamento, as negociações serão diretas, eletrônicas e até mesmo intraday. As operações com títulos públicos atualmente ocorrem overnight e para serem realizadas intraday é preciso cada vez mais segurança nas operações, evitando-se que se saiba da inexistência de recursos de lastro para um cheque somente após passar pelo sistema de compensação. O presidente do banco espanhol BBV, Vicente Benedito, afirma que a redução gradual do uso de cheques no Brasil para valores mais altos - com a utilização de operações eletrônicas- irá reduzir o custo do sistema bancário e trazer maior segurança para os consumidores. Pesquisas dos bancos demonstram que o processamento de uma operação com o uso de cheques custa cerca de R$ 1 para as instituições, contra R$ 0,01 em transações eletrônicas. Joaquim Elói de Toledo, diretor da Nossa Caixa, observa que as instituições lançarão uma séria de opções eletrônicas (como o Doc interbancário) para eliminar os cheques de maior valor. Paulo Cândido, diretor executivo da ABBC, afirma que a legislação vai aplicar sanções econômicas para os bancos que aceitarem valores mais altos. Os cheques de valor elevado serão raros, mas poderão continuar existindo no novo sistema de pagamentos, diz. Ele exemplifica com a venda de um carro em um final de semana. O comprador pode receber uma proposta de R$ 9 mil em dinheiro e outra de um cheque de R$ 10 mil. Se ele confiar no comprador, poderá aceitar o cheque e realizar o depósito. O banco cujo cliente emitiu o cheque terá que dispor dos recursos para cobrir o a média móvel de saques no BC. Atualmente, os gerentes ligam para clientes que emitem cheques de elevados valores ou realizam faturas de cartões de crédito em montantes altos. Após a entrada em vigor do novo sistema, isso deverá ocorrer com maior freqüência. Os bancos vão evitar correr o risco de terem que cumprir obrigações de clientes inadimplentes. A expectativa é de redução drástica na inadimplência de altos valores, dados os cuidados das instituições em garantirem que somente ocorrerá a compra de um papel (ação) por exemplo com a garantia da disponibilidade dos recurso para a aquisição.

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