Cheques devolvidos atingem 2ª marca histórica em maio

O volume de cheques devolvidos por falta de fundos cresceu novamente e registrou, em maio, o segundo maior nível histórico no Brasil, conforme levantamento divulgado nesta quarta-feira pela Serasa. No período, foram compensados 153,2 milhões de cheques, sendo que 3,6 milhões voltaram por falta de fundos, o que correspondeu a um índice de 23,7 cheques devolvidos a cada mil compensados.O número do mês passado representou alta de 23,4% sobre maio de 2005, quando a pesquisa constatou índice de 19,2 a cada mil, após a compensação de 170,1 milhões de folhas e a devolução de 3,3 milhões de cheques. Em relação a abril de 2006, o crescimento foi de 5,8%.O quarto mês deste ano possuía, até então, a segunda maior marca histórica da pesquisa iniciada pela Serasa em 1991. No período, foram devolvidos 3,0 milhões de cheques sem fundos, de um total de 133,3 milhões compensados, com um índice de 22,4. Os níveis de maio e abril de 2006 perdem apenas para o índice de 24,3 cheques a cada mil compensados, recorde verificado em março deste ano.AcumuladoOs primeiros cinco meses de 2006 também registraram alta, de 21,5%, no volume de cheques devolvidos a cada mil compensados, quando comparados ao mesmo período de 2005. Entre janeiro e maio deste ano, foram devolvidos 22,0 cheques sem fundos a cada mil, contra um índice de 18,1 no período idêntico do ano passado.Em todo o País, 734,5 milhões de cheques foram compensados até maio, sendo 16,1 milhões devolvidos por insuficiência de fundos. Nos primeiros cinco meses de 2005, um total de 817,9 milhões de cheques foi compensado e 14,8 milhões de folhas foram devolvidas.Análise Segundo avaliação da Serasa, o maior número de cheques devolvidos entre maio e abril de 2006 foi motivado, sobretudo, pelo maior número de dias úteis do mês em análise. Maio deste ano teve 22 dias úteis contra 18 em abril e 21 em maio de 2005.A Serasa destacou, porém, que, de qualquer forma, o número de dias úteis em maio de 2006 se iguala ao março deste ano, quando foi registrado o recorde do levantamento. "O que mostra que a inadimplência com cheques já foi pior", destacou a empresa de análise de crédito.Para os técnicos da Serasa, a evolução dos indicadores de 2006, comparados aos de 2005, reflete a grande expansão de crédito para pessoa física, que tem no cheque pré-datado um dos principais instrumentos para as vendas a prazo. Além disso, o consumidor ainda carrega os compromissos assumidos no Natal de 2005, realizados em prazos mais longos, e acumula as compras parceladas nas datas festivas de 2006, como a Páscoa."Nesse contexto, o maior endividamento da população tem explicado parte da inadimplência com cheques, sendo a outra parte justificada pela má concessão de crédito", explicou a Serasa. "Em termos porcentuais, a inadimplência com cheques, em maio de 2006, corresponde a 2,3%, portanto, abaixo de outras formas de financiamento encontradas no mercado", acrescentaram os técnicos da companhia.

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