Chesf e Eletronorte recebem três propostas para Sinop

Após saída da Alupar, empresas buscam novo sócio privado para evitar burocracia no processo de construção da usina

João Villaverde, O Estado de S.Paulo

18 de fevereiro de 2014 | 02h03

BRASÍLIA - Após perder a Alupar como sócia na construção da Usina Hidrelétrica de Sinop (MT), a Companhia Hidro Elétrica do São Francisco (Chesf) e a Eletronorte buscam um sócio privado para evitar os obstáculos burocráticos impostos pela Lei das Licitações.

"A necessidade de termos um sócio privado majoritário se impõe", disse ao Estado o diretor de engenharia e obras da Chesf, José Ailton de Lima. "É praticamente impossível construir uma hidrelétrica no Brasil sob a égide da Lei 8.666", afirmou.

Segundo o diretor da Chesf, três companhias apresentaram propostas na chamada pública feita pela Eletrobrás em janeiro. "Nenhuma delas é chinesa", afirmou ao Estado. É grande o apetite dos chineses no mercado brasileiro, em especial da State Grid - a estatal chinesa é a maior operadora de linhas de transmissão do mundo, e se associou à Eletrobrás para operar o linhão de Belo Monte. Mas, no caso de Sinop, o páreo é outro.

A empresa escolhida terá 51% da sociedade de propósito específico (SPE) montada com Chesf e Eletronorte para operar a hidrelétrica de Sinop, cujo contrato de concessão será assinado ainda neste mês.

A usina está orçada em R$ 2 bilhões. Com o contrato em mãos, o consórcio vai buscar o financiamento de até 70% da obra no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Custo. O diretor da Chesf disse que não falta dinheiro à companhia, que tem R$ 2,3 bilhões em caixa para "alavancar negócios neste ano". A companhia vai participar de leilões de usinas eólicas e de linhas de transmissão, mas a prioridade será tocar a Usina de Sinop, que deve consumir cerca de R$ 300 milhões apenas do caixa da Chesf.

Nos últimos meses, a Chesf sofreu penalizações da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) por atrasos em obras, que comprometeram o setor, de acordo com a agência reguladora. Agora, a Chesf somente pode participar de leilões se estiver associada a outra empresa. Lima afirmou ao Estado que questiona a decisão da Aneel, uma vez que muitos atrasos foram resultados não de problemas de gestão da companhia, mas por entraves ambientais e outras burocracias.

Baque. A discussão com o órgão regulador não foi facilitada pelo episódio do leilão de Sinop, considerado um "baque" até mesmo pelo próprio governo federal. Na ocasião, Chesf e Eletronorte formaram um consórcio com a empresa privada Alupar, que deteria 51% da SPE. A Alupar levantou R$ 800 milhões na abertura de capital realizada em 2013, e via com bons olhos a vitória no leilão.

De fato, o certame foi vencido pelo trio, mas no exato momento em que a Empresa de Pesquisa Energética (EPE) anunciava o consórcio vencedor, a Alupar acionava a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) para se retirar da parceria com Chesf e Eletronorte, afirmando que a proposta apresentada inviabilizava seu modelo de negócio, ao prever uma rentabilidade menor do que supunha.

"Poderíamos tocar toda a hidrelétrica sozinhos, temos dinheiro para isso, mas buscamos um sócio privado para substituir a Alupar porque, de outra forma, a operação seria muito mais lenta", explicou Lima.

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