Chesf prevê investimento de R$ 444 milhões nos projetos adquiridos

Companhia foi a única vencedora da licitação da Aneel, adquirindo três dos quatro lotes ofertados - para um deles, não houve investidores interessados

Luciana Collet, da Agência Estado,

20 de abril de 2012 | 13h52

A Chesf prevê investir R$ 444 milhões nos empreendimentos de transmissão arrematados em leilão promovido pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), na BM&FBovepsa. A companhia foi a única vencedora da licitação, adquirindo três dos quatro lotes ofertados - para um deles, não houve investidores interessados.

Segundo o diretor econômico financeiro da companhia, Marcos Cerqueira, a estimativa é que o lote A, composto de duas subestações em Pernambuco, que reforçará o sistema para atender à demanda adicional com a Copa de 2014, deve consumir R$ 83 milhões. Já os lotes B e C, que visam principalmente a conectar eólicas que estão se instalando nos estados do Rio Grande do Norte, Ceará e Bahia, receberão investimentos de R$ 118 milhões e R$ 243 milhões, respectivamente. Cerqueira assegurou que mesmo com o deságio apresentado - que alcançou 22,8%, segundo a Aneel -, a taxa interna de retorno (TIR) dos empreendimentos segue no patamar dos dois dígitos.

O diretor afirmou que a Chesf já começará a trabalhar nos projetos conquistados hoje a partir da próxima segunda-feira, mesmo ainda não tendo a outorga das instalações. "Tem processos que já dá para começar", disse, listando a questão ambiental, estudo topográfico e levantamento das propriedades pelas quais as linhas devem passar. "Para iniciar as obras é que devemos esperar a licença de instalação", completou.

A pressa tem como objetivo tentar evitar a repetição de problemas como o que a Chesf vem enfrentando com as Instalações de Conexão Compartilhada (ICGs), que conectam as eólicas ao sistema de transmissão, e que não devem ficar prontas dentro do prazo previsto em contrato. Segundo Cerqueira, todas as obras de ICGs estão atrasadas. Parte desses empreendimentos deveria entrar em operação até julho deste ano, quando, por contrato, as usinas eólicas devem entrar em operação comercial. No entanto, segundo fontes do setor eólico, parte dessas usinas estão produzindo nesta data e não haverá alternativa de escoamento para a energia gerada.

O diretor financeiro da Chesf afirmou que a companhia está trabalhando para tentar mitigar o problema e realizará no próximo dia 24 uma reunião com todos os empreendedores de projetos eólicos do Nordeste para discutir o problema e buscar alternativas para minimizá-lo. "Também existem alguns parques eólicos atrasados, por isso a ideia é trabalhar juntos e compor a melhor solução possível para o problema", disse.

Jirau

O início da operação comercial da Usina Hidrelétrica de Jirau, no Rio Madeira (RO), tende a ficar para janeiro. Marcos Cerqueira disse a jornalistas ter recebido a informação de que com os últimos atrasos, em decorrência da greve que afetou a usina por quase um mês, o consórcio responsável pelas obras estaria trabalhando com o prazo de janeiro para o início das operações. "A informação que eu tenho é de que se está trabalhando para tentar diminuir o atraso, mas garantir a entrada em janeiro", comentou.

Embora por contrato a usina precise começar a gerar energia apenas em janeiro, o Consórcio Energia Sustentável do Brasil trabalhava com a expectativa de antecipar a geração, até mesmo para ampliar a rentabilidade do projeto. Inicialmente, a previsão era começar a produção no primeiro semestre deste ano, mas por conta da greve deflagrada no ano passado, esse cronograma já tinha sido adiado para o segundo semestre.

A Chesf possui uma participação minoritária no consórcio, de 20%. O grupo GDF Suez é o principal acionista, com 50,1% do consórcio. Camargo Corrêa tem 9,9% e Eletrosul, os 20% restantes.

Leilões

A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) vai realizar ainda este ano mais três leilões de transmissão - um em maio, outro em agosto e um terceiro entre novembro e dezembro -, informou o superintendente de Concessões e Autorizações de Transmissão e Distribuição da autarquia, Jandir Amorim Nascimento.

Ele não informou qual o volume de investimento previsto para os empreendimentos que serão ofertados ainda em 2012, mas confirmou que parte do complexo de transmissão que conectará a Usina de Belo Monte ao sistema será oferecida nos leilões de agosto e do final do ano. Os linhões que efetivamente conectarão a hidrelétrica, no entanto, ficarão para o ano que vem.

 

 

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