Chevron entrega dados de plano de emergência, diz Ibama

Se o plano de emergência tiver sido cumprido, conforme estabelece o licenciamento ambiental, a Chevron não será multada, segundo o presidente do Instituto

Karla Mendes, da Agência Estado,

23 de novembro de 2011 | 15h41

A Chevron entregou nessa quarta-feira ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Renováveis (Ibama) dados referentes ao plano de emergência para contenção do vazamento de petróleo no Rio de Janeiro. "A empresa entregou todas informações que requisitamos hoje de manhã, no Rio de Janeiro", afirmou o presidente do Ibama, Curt Trennepohl, antes de participar de audiência pública sobre o tema na Câmara dos Deputados.

Se o plano de emergência tiver sido cumprido, conforme estabelece o licenciamento ambiental, a Chevron não será multada, segundo o presidente do Ibama. "Nós estamos cruzando as informações da empresa com os dados da ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) e Marinha", ressaltou.

Trennepohl disse que é "impossível dimensionar" os danos causados pelo vazamento de petróleo. "Não tivemos informação de que tenha havido morte de algum animal", disse. Para Trennepohl, a ocorrência de vazamentos mostra que ninguém está preparado para evitar esse tipo de acidente ambiental. "Eu tenho a impressão de que ninguém está preparado para acidentes, ou eles não ocorreriam", enfatizou.

Na visão do presidente do Ibama, no Brasil deveria ser criado um fundo, assim como ocorreu no Golfo do México, para concentrar recursos a serem aplicados em caso de acidentes ambientais. Trennepohl defende que as empresas que detêm o direito de exploração de petróleo deveriam recolher determinados valores para o fundo. Se não houver necessidade de usar esses recursos, ao final da concessão o dinheiro pago pelas empresas seria devolvido às concessionárias, segundo o presidente do Ibama.

Multa

Na segunda-feira, dia 21, a petroleira recebeu multa do Ibama no valor de R$ 50 milhões pelo vazamento de óleo no Campo de Frade, na Bacia de Campos. É o valor máximo previsto para multas aplicadas pelo instituto.

O presidente da Chevron do Brasil, George Buck, admitiu que pode rever o plano de contingência da empresa, depois do vazamento de óleo no Campo de Frade. Um dos problemas observados foi a demora para envio de equipamentos e da lama pesada usada para interromper o vazamento, que estavam no Rio de Janeiro. "Temos uma cooperação muito boa com a Petrobrás, que disponibilizou a base de Macaé para que tivéssemos mais agilidade, mas a lama pesada saiu da base no Rio de Janeiro", afirmou o presidente. "Não utilizamos nem areia, farinha ou nem um outro produto dispersante. Usamos apenas recolhimento do óleo e dispersão mecânica", disse ele.

O vazamento começou no último dia 8 e ainda não foi contido. A estimativa é de que o vazamento seja de 2.400 barris.

 

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