Chile anuncia adesão à TV digital nipo-brasileira

Governo negocia com outros países sul-americanos, como o Equador, e ministro diz que Venezuela deve anunciar em outubro adoção do padrão

Gerusa Marques, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

15 de setembro de 2009 | 00h00

A construção de um modelo sul-americano de TV digital, com base no sistema nipo-brasileiro, ganhou ontem uma adesão de peso com a opção do governo chileno pelo padrão japonês. O ministro das Comunicações, Hélio Costa, anunciou a adesão do Chile, prevendo que o padrão japonês de televisão digital, com inovações brasileiras, terá os "melhores preços do planeta" para televisores, conversores e equipamentos.

Apesar do otimismo do ministro, a adoção da tecnologia ainda é modesta no País. No mês passado, o Fórum do Sistema Brasileiro de TV Digital (SBTVD) divulgou que haviam sido vendidos cerca de 1,6 milhão de receptores no País. O software de interatividade Ginga, única tecnologia genuinamente brasileira no sistema, deve começar a ser incorporado aos equipamentos somente este mês. Os conversores de TV digital mais baratos custam cerca de R$ 300, o mesmo preço de há um ano atrás.

Segundo Costa, a redução de preços será obtida com a ampliação da escala de produção, já que a adoção de um mesmo sistema por todos os países sul-americanos pode dobrar o mercado atual de televisores, que é de 10 milhões por ano no Brasil. Até o momento, já são quatro países. O Peru tomou sua decisão em abril e a Argentina aderiu no mês passado.

"Estamos caminhando para um grande sistema sul-americano de TV digital, que vai possibilitar todo intercâmbio comercial, cultural, artístico e técnico entre os países do Cone Sul", afirmou.

Costa informou que, no próximo mês, a Venezuela também deverá fazer sua opção pelo sistema nipo-brasileiro. Segundo o ministro, os entendimentos estão avançados também com Equador e Cuba, e há conversas com Bolívia e Paraguai. Ele disse que ainda tem esperança de que os governos do Uruguai e da Colômbia voltem atrás na opção que fizeram pelo padrão europeu. "Todo mundo que erra tem o direito de voltar atrás", brincou.

A partir de 1º de janeiro, os televisores de plasma de até 42 polegadas produzidos na Zona Franca de Manaus já sairão da fábrica com o conversor de TV digital embutido. A decisão consta de portaria do Ministério do Desenvolvimento Indústria e Comércio, publicada na sexta-feira passada.

No mês passado, uma outra portaria estabeleceu regras para televisores de tela cristal líquido (LCD). Os aparelhos acima de 32 polegadas terão de vir com conversor embutido a partir do próximo ano, alcançando os de 26 polegadas em 2011, e valendo para todos os televisores de LCD em 2012. Em 2008, foram produzidos cerca de 11 milhões de aparelhos, sendo 2,7 milhões com tela de plasma e de LCD. Até maio deste ano, a produção foi de 2,1 milhões de TVs de tubo e 1,2 milhão de plasma e LCD.

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