Chile é o parceiro mais privilegiado da Europa na América do Sul

O Chile se transformou hoje em um dos países mais privilegiados da União Européia na América do Sul. O presidente chileno, Ricardo Lagos, e o presidente da Comissão Européia, Romano Prodi, assinaram, no início da tarde, em Madri, um acordo que prevê a liberalização de mais de 90% do intercâmbio comercial e de serviços em um prazo de oito anos.Essa corrente de comércio representará um intercâmbio de aproximadamente ? 8,6 bilhões por ano. "O acordo como Chile é de mais alta qualidade em matéria comercial, porque conseguimos entrar em um campo que, até agora, a União Européia não havia tratado com nenhum outro país", disse Anthony Gooch, porta-voz da Comissão, ao se referir ao tema de investimentos.As negociações entre o governo chileno e a Comissão Européia, órgão executivo da EU, duraram apenas dois anos, período em que os países do Mercosul (Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai) também iniciaram as primeiras conversações com os europeus, mas não obtiveram resultado prático, pelo menos em termos comerciais. "O acordo com o Chile servirá para aumentar o dinamismo nas negociações com o Mercosul", disse Gooch. De acordo com ele, essas discussões são complexas, porque a Europa nunca negociou com outro bloco regional. Para o presidente Fernando Henrique Cardoso, o acordo entre o Chile e a União Européia abre um caminho novo para os países do Cone Sul. O Chile conseguiu chegar a esse acordo, que foi oficializado sob o olhar de outros 47 presidentes e chefes de Estado da América Latina, Caribe e União Européia, graças à estabilidade política e econômica consolidada nos últimos dez anos, à transparência de suas instituições e à segurança jurídica para os investidores nacionais e estrangeiros, além do reduzido endividamento externo (US$ 37 bilhões, dos quais apenas US$ 5 bilhões são do governo), afirmam os principais negociadores comerciais que se encontram em Madri.O acordo entre o Chile e a UE deverá entrar em vigor em janeiro do próximo ano, quando a tarifa média chilena de importação deverá cair de 6% para 3%. O porta-voz da Comissão Européia, disse, no entanto, que os termos do acordo de livre comércio terão de ser aprovados ainda pelo Parlamento Europeu.Os produtos chilenos ganharão um mercado de quase 380 milhões de consumidores. Em 2001, o intercâmbio comercial somou US$ 7,66 bilhões, dos quais US$ 4,6 bilhões corresponderam a exportações chilenas. Entre 1974 e 2001, os europeus investiram no país cerca de US$ 18 bilhões.

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