Chile pagará 100% a mais pelo gás argentino, diz jornal

O Chile pagará a partir deste sábado até 100% a mais pelo gás que importa da Argentina. O produto passará a custar entre US$ 3,20 e US$ 3,40 por milhão de BTUs (unidade térmica britânica), segundo o jornal Clarín. O país importa cerca de 15 milhões de metros cúbicos diários de gás, cujo preço oscilava até agora entre US$ 1,20 e US$ 1,80 por milhão de BTUs.Com o aumento, porta-vozes governamentais disseram ao La Nación que o Chile deve desembolsar a partir deste sábado US$ 110 milhões a mais para importar o gás argentino.As fontes ressaltaram que o governo de Néstor Kirchner procura transferir assim "o aumento do preço do gás boliviano importado pela Argentina às exportações feitas ao Chile e ao Uruguai", que atualmente importa meio milhão de metros cúbicos de combustível por dia.O ministro de Planejamento argentino, Julio De Vido, disse na sexta-feira que o governo transferirá ao Chile a "incidência exata" da alta no preço do gás que importa da Bolívia."As retenções serão equivalentes à incidência exata que os cinco milhões de metros cúbicos que serão importados da Bolívia a US$ 5 por milhão de BTUs têm no preço do gás para a Argentina", explicou.Acordo Inda neste sábado entra em vigor o acordo assinado em junho por Kirchner e o presidente da Bolívia, Evo Morales, e que estabelece uma alta de ao redor de 50% para o preço do gás boliviano. Assim, dos US$ 3,35 que a Argentina pagava por milhão de BTUs, a Administração local começará a pagar US$ 5, como indica o acordo.O chanceler chileno, Alejandro Foxley, acusou esta semana o governo da Argentina de manter "um discurso duplo" em matéria de integração.O alto funcionário fez estas declarações após a polêmica criada pela decisão de Buenos Aires de aumentar o preço da gasolina na fronteira para os veículos com matrícula estrangeira.Espera-se que na próxima semana a presidente chilena, Michelle Bachelet, se reúna com Kirchner para tratar deste assunto durante a cúpula do Mercosul que será realizada na província argentina de Córdoba em 21 de julho.

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