Chilli Beans faz cruzeiro para vender mais óculos

Chilli Beans faz cruzeiro para vender mais óculos

Empresa fretou navio e vendeu 3 mil pacotes para clientes; objetivo é dar mais visibilidade ao universo ‘pop’ da marca

Fernando Scheller, O Estado de S.Paulo

04 de março de 2019 | 05h00

Criada no fim dos anos 1990 pelo empresário Caíto Maia – que, antes de empreender, chegou a participar de concursos de bandas na MTV dos EUA –, a Chilli Beans sempre teve um pé no universo da música. Tanto é assim que a empresa já fez coleções especiais com ícones do rock, como Iggy Pop e Rita Lee. A marca, que vive um momento de abertura de novos negócios, está prestes a zarpar rumo a um inusitado território: o dos cruzeiros temáticos, com um investimento de R$ 6,5 milhões.

A marca de óculos de sol e relógios quer oferecer a uma parcela de seus clientes acesso a um mundo de música e moda. Durante quatro dias, o Chilli Mob Cruise vai reunir balada eletrônica, nomes da música brasileira (como Iza e Marcelo D2) e o cenário underground das boates de São Paulo em um navio fretado que comporta 5 mil pessoas para uma viagem de Santos (SP) a Balneário Camboriú (SC). O cruzeiro também servirá para apresentar novas coleções da Chilli Beans, que terá programação visual criada por Paulo Borges, da SPFW.

“Se eu for só vender óculos, estou perdido, porque é uma commodity”, diz o fundador da Chilli Beans, que produz 85% de seus produtos da China. Ao envolver sua coleção em um emaranhado de referências culturais, Caíto espera ganhar a preferência do consumidor ao oferecer atributos de marca intangíveis – não ligados a produtos. O cruzeiro, marcado para o dia 20, está lotado: dos 5 mil lugares, 2 mil foram reservados a franqueados da Chilli Beans, enquanto 3 mil foram vendidos a clientes, em posts realizados nas redes sociais da marca. 

Uma fonte do setor de turismo consultada pelo Estado classificou a estratégia da Chilli Beans de ter um cruzeiro próprio como pouco usual para uma marca de moda. Geralmente os cruzeiros temáticos são associados a celebridades ou a marcas culturais, como a Disney, e não a empresas. Ele classificou a proposta, que mistura música, moda e performance, como “original”.

Novo rumo. O cruzeiro é uma ação de marca que faz parte de um momento em que a Chilli Beans tenta diversificar sua atuação – a venda de ingressos é uma forma tanto de aprofundar o relacionamento com consumidores quanto de diluir o custo da empreitada em alto-mar. 

Depois de usar figuras do mundo pop para desenvolver óculos escuros e relógios, a Chilli Beans agora vai lançar uma cadeia de varejo dedicada a apenas a armações de grau. A “ótica” da marca, no entanto, vai ter “o clima de uma barbearia cubana dos anos 1920”, de acordo com o empresário. A primeira loja será inaugurada em até dois meses, em São Paulo, mas a ideia é expandir rapidamente, chegando a 30 unidades até o fim de 2019.

Paralelamente, a Chilli Beans vai continuar a expansão de suas unidades e quiosques tradicionais – atualmente com 850 unidades, a rede prevê abrir outras 60 até o fim do ano. Com faturamento de R$ 740 milhões em 2018, a companhia hoje é o grupo vice-líder em óculos de sol, segundo a consultoria Euromonitor, com fatia de 22,3%. A Luxottica, grupo que distribui marcas como Ray-Ban, Chanel, Oakley e Prada, é a líder, com 39,7%. Na comparação entre marcas, no entanto, a Chilli Beans já assumiu a ponta, à frente da Ray-Ban.

Para manter a posição conquistada, Caíto sabe que precisa aumentar o burburinho sobre a marca. O empresário espera que o cruzeiro consiga amplificar o debate sobre a Chilli Beans na web. Para atingir um público maior do que o total de passageiros do navio, a marca recrutou 250 influenciadores digitais, que vão viajar de graça com uma só missão: postar tudo o que virem para seus seguidores.

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