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China abre mais espaço para jatos executivos e pode beneficiar Embraer

O número de jatos executivos nos céus da China aumentou em 45,3% no ano passado, depois de anos de baixo crescimento. Mesmo com o salto, o país tinha apenas 109 aeronaves desse tipo no fim de 2011, comparadas a 10 mil nos Estados Unidos, mas as autoridades de Pequim começam a dar os primeiros passos para mudar as regras que restringem a expansão do mercado - o que potencialmente beneficia a brasileira Embraer.

CLÁUDIA TREVISAN, CORRESPONDENTE / PEQUIM, O Estado de S.Paulo

29 de março de 2012 | 03h08

O diretor da Administração de Aviação Civil da China, Xia Xinghua, disse durante uma feira do setor realizada em Xangai que o governo vai diminuir o prazo para aprovação de licenças de empresas que oferecem voos em jatos executivos, bem como dos planos de voo apresentados pelos pilotos.

Atualmente, a obtenção do sinal verde para decolagens pode demorar dias, o que acaba reduzindo os benefícios oferecidos por aviões particulares. Segundo Xia, a intenção do governo é fixar um prazo máximo de três dias para aprovação dos planos de voo, o que ainda é elevado quando comparado a padrões internacionais, pelo quais o consentimento é dado em horas.

Além disso, deverá aumentar o número de empresas que oferecem aluguel de jatos executivos. No ano passado, existiam apenas nove em todo o país. Agora, há 48 pedidos de licença à espera de aprovação do governo, mas apenas 30 devem ser constituídas nos próximos três anos por razões de segurança, disse Xia.

Outro empecilho à expansão do setor é a falta de infraestrutura. Apenas 180 aeroportos do país permitem o pouso e decolagem de jatos particulares, enquanto nos Estados Unidos o número chega a 15 mil.

Com o maior número de bilionários do mundo depois dos EUA, a China tem um enorme mercado potencial, mas seu desenvolvimento é limitado por um estrito controle do espaço aéreo, falta de infraestrutura e regulação desfavorável.

Mercado. Apesar das restrições, o cenário começa a mudar lentamente. A Embraer já vendeu 22 jatos executivos no país, 18 dos quais no ano passado, em contratos que somam cerca de US$ 800 milhões, segundo o presidente da companhia na China, Guan Dongyuan. Do total, cinco foram entregues até agora.

"Nossa previsão é de que, nos próximos dez anos, a China terá mais 635 jatos executivos, no valor total de US$ 21 bilhões", disse Guan ao Estado, sem revelar quanto desse mercado a Embraer espera abocanhar. O número é semelhante às aeronaves do tipo existentes hoje no Brasil.

Todos os jatinhos vendidos pela Embraer à China serão produzidos no Brasil, e não na fábrica que a companhia tem na cidade de Harbin em conjunto com a estatal Avic, onde antes eram montados aviões ERJ-145, para 50 passageiros. Em visita da presidente Dilma Rousseff ao país em abril de 2011, as duas empresas decidiram adaptar a planta para fabricação de jatos Legacy. Mas, passado quase um ano, a produção ainda não começou. Segundo Guan, os funcionários estão em treinamento e a linha de montagem está em fase de aprovação.

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