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China acerta reduzir intervenção cambial conforme 'condições permitirem'

Líderes dos Estados Unidos e da China acertaram que a China reduzirá suas intervenções nos mercados de câmbio quando as condições forem apropriadas, chegando a um entendimento nesta questão espinhosa que tem prejudicado os laços entre as duas maiores economias do mundo há anos.

KEVIN YAO E LESLEY WROUGHTON, REUTERS

10 de julho de 2014 | 13h39

O presidente do banco central da China, Zhou Xiaochuan, disse às margens da discussão anual de alto nível entre os dois países que a China vai reduzir "significativamente" as intervenções no iuan quando alguns pré-requisitos forem alcançados. Ele não deu mais detalhes.

Analistas disseram que a franqueza incomum sobre as intervenções cambiais da China, que foi repetida na quarta-feira pelo ministro das Finanças chinês, sugere que a China pode estar pronta para deixar o iuan se fortalecer quando a economia estabilizar.

De fato, o secretário do Tesouro dos EUA, Jack Lew, disse a jornalistas no fim das negociações nesta quinta-feira que a China está comprometida em reduzir suas intervenções no iuan quando "as condições permitirem". A China também vai aumentar a transparência de sua política cambial, afirmou, descrevendo o acordo como mudanças "importantes".

"A direção de nossas reformas é clara: esperamos que a taxa de câmbio possa ser mantida basicamente estável, num nível razoável e equilibrado, por meio de reformas", disse Zhou às margens da reunião de dois dias.

"Ao mesmo tempo, permitiremos que a oferta e demanda dos mercados desempenhe um papel maior em determinar a taxa de câmbio, expandir a banda de oscilação do câmbio e aumentar a flexibilidade da taxa de câmbio".

"Isso significa que à medida que as metas forem atingidas e quando as condições estiverem prontas, o banco central vai reduzir significativamente suas intervenções no mercado de câmbio", emendou.

O valor do iuan tem há muito prejudicado as relações bilaterais entre a China e os EUA. Em junho, o Fundo Monetário Internacional (FMI) julgou que a divisa está "moderadamente subapreciada".

Autoridades norte-americanas dizem que a China deliberadamente mantém depreciada sua moeda para impulsionar as exportações. A China nega essas acusações.

Em vez disso, autoridades chinesas atrelam sua política cambial à ideia de estabilidade. Segundo analistas, essa postura deriva do medo de reviver a experiência do Japão da década de 1980, quando a forte alta do iene prejudicou a economia japonesa.

O iuan acumula queda de 2,4 por cento neste ano, enquanto o crescimento da China recuou à mínima de 18 meses no primeiro trimestre. Há sinais de que a atividade está se recuperando, embora não tão rapidamente quanto alguns esperavam.

"Parece que houve uma discussão razoavelmente concreta desta vez", disse o economista do RBS Bank Louis Kuijs. "Isso não é apenas uma repetição da linha política que estava na prateleira da equipe".

"Eu acho que, aos olhos de Pequim, quando as preocupações com o crescimento econômico forem convincentemente dissipadas, haverá menor resistência a deixar o câmbio apreciar".

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