China afirma que não assumirá papel de 'salvadora' da Europa

Em artigo de opinião, a agência estatal Xinhua diz que União Europeia terá caminho 'longo e difícil' para sair da crise

PEQUIM, O Estado de S.Paulo

31 de outubro de 2011 | 03h05

A China não pode assumir o papel de "salvadora" da União Europeia nem fornecer uma "cura" para o mal-estar europeu causado pela grave crise da dívida na região, escreveu ontem em um comentário a agência estatal de notícias Xinhua.

Segundo a agência, o acordo alcançado pelos líderes europeus na última quinta-feira é um avanço importante e vai estimular a confiança no curto prazo. Mas a agência acrescentou que o plano é apenas o começo de um processo longo e difícil para resolver de verdade a crise, e serão necessários mais esforços conjuntos. "Depende dos países europeus resolver seus problemas financeiros. Mas a China pode fazer o que estiver dentro da sua capacidade para ajudar, como um amigo", diz o texto.

Em um evento na sexta-feira, o vice-ministro de Finanças chinês, Zhu Guangyao, disse que o país vai manter a "mente aberta" e elogiou as medidas adotadas pelos líderes da UE para conter a crise. Segundo ele, a China ainda está considerando se vai investir em um fundo de resgate especial dedicado ao bloco econômico.

Disputa política. A ajuda chinesa provoca debate nos círculos políticos europeus, especialmente nos países em que a eleição se aproxima. Na França, o Partido Socialista criticou ontem o atual presidente Nicolas Sarkozy por buscar ajuda chinesa para superar a crise da zona do euro.

Na semana passada, Sarkozy desempenhou um papel-chave - ao lado da chanceler alemã, Angela Merkel - na elaboração de um plano para restaurar a confiança nos mercados europeus e resolver uma crise que já se arrasta por dois anos na Grécia. Nesse sentido, uma contribuição financeira da China pode ser necessária. O líder francês chegou a admitir que conversou por telefone com o presidente chinês, Hu Jintao, por considerar que Pequim teria um "papel importante a desempenhar".

A líder do Partido Socialista francês, Martine Aubry, disse que a Europa agiu errado ao recorrer a Pequim, reiterando as palavras do candidato à Presidência pela legenda, François Hollande. Ele afirmou que a França se tornou uma nação "duplamente dependente", referindo-se à passividade em relação à China e à Alemanha. "É uma vergonha", disse Aubry em comentários publicados ontem. "Ao voltarem-se aos chineses, os europeus estão mostrando que são incompetentes. A resposta deveria ser apenas europeia", afirmou ao Journal du Dimanche, em referência ao envolvimento chinês no caso.

Na semana passada, em um movimento emergencial liderado pela Alemanha, líderes europeus chegaram a um acordo na madrugada da última quinta-feira com os credores privados da Grécia. A solução prevê a troca de bônus antigos por novos títulos, com um desconto de 50%. No entanto, ainda falta definir alguns detalhes desse plano. O consenso é que a figura de Angela Merkel foi essencial para que uma solução fosse encontrada: ela ofereceu garantia de 20% a 30% para os novos bônus a serem emitidos pela Grécia. / AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

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