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China ajuda Europa e anima bolsas

Declaração do governo chinês fez com que as bolsas de valores europeias apresentassem a maior alta em dois anos e o euro ganhasse terreno

Jamil Chade, O Estado de S.Paulo

22 de dezembro de 2010 | 00h00

A China declarou que vai ajudar a Europa a financiar sua crise da dívida e escancarou uma inversão de papéis na relação entre Pequim e Bruxelas. O anúncio fez com que as bolsas europeias registrassem a maior alta em dois anos e o euro ganhasse terreno. Ontem, numa reunião entre europeus e chineses, o governo chinês deixou claro que está pronto para comprar papéis da dívida europeia, caso seja necessário para estabilizar o continente.

Por meses a Europa tentou convencer o mercado que não deixaria nenhum de seus membros da zona do euro quebrar. Mas por mais que anunciasse planos de resgate o mercado continuava a duvidar da capacidade do bloco. Ontem, bastou uma declaração da China para as bolsas reagirem de forma positiva e a moeda única se fortalecer. Até o real sentiu o efeito positivo.

Um dos vice-primeiros-ministros da China, Wang Qishan, garantiu ontem que seu país estava em condições de socorrer os europeus. O anúncio vem um mês depois que Pequim anunciou que tomaria medidas concretas para ajudar Portugal em sua crise. Em outubro, o primeiro-ministro, Wen Jiabao, foi até a Grécia anunciar que compraria papéis da dívida soberana do país.

Os chineses usariam parte de suas reservas, calculadas em US$ 2,6 trilhões, para socorrer a Europa. No caso de Portugal, a promessa já era de comprar US$ 4 bilhões em papéis soberanos.

Enfrentando sua pior crise desde a criação do euro, a União Europeia está sendo obrigada a cortar custos para reduzir o déficit, enquanto é alvo de dúvidas do mercado sobre a capacidade de honrar seus compromissos financeiros. Pela primeira vez, foi obrigada a recorrer ao FMI e, ainda assim, a situação não é considerada estabilizada.

A China, ontem, fez questão de mostrar que está em outra situação e apoia a União Europeia. "A China está tomando políticas fiscais proativas, enquanto a UE está tomando iniciativas para combater sua crise da dívida", disse Wang. "A China e a UE devem fortalecer sua cooperação para promover um crescimento forte e sustentável."

A atitude da China foi comemorada na União Europeia. "Apreciamos o apoio da China no esforço europeu e internacional para garantir a estabilidade financeira na Europa", disse o comissário de Economia do bloco, Olli Rehn. "O epicentro da crise da dívida soberana foi a Europa, e portanto é importante que nossos parceiros internacionais, incluindo a China, expressem seu apoio tanto verbal como concretamente."

Contrapartidas. Mas a ajuda não é desinteressada. Hoje, a Europa é o maior mercado para as exportações chinesas e Pequim não pode se privar de suas vendas ao exterior, sob o risco de ver o próprio crescimento afetado. Com um comércio bilateral de quase US$ 450 bilhões, tanto chineses como europeus admitem que o fortalecimento da relação é estratégica para ambos.

Pequim também pediu contrapartidas a essa ajuda. A primeira é de que a UE reconheça finalmente a China como "economia de mercado". Na prática, isso acabaria com a arbitrariedade dos europeus em impor salvaguardas a produtos chineses e todas as medidas teriam de seguir as regras internacionais.

Karel de Gucht, comissário de Comércio da UE, admite que a China fez avanços em sua economia. Mas Bruxelas ainda não estaria preparada para reconhecer o novo status da China. Outro pedido da China é para que a Europa acabe com o embargo sobre armas, medida adotada após os massacres da Praça de Tiananmen, em 1989. Desde então, a UE impede seus membros de vender armas aos chineses.

Para haver uma mudança, todos os 27 países da UE teriam de dar seu apoio. Em rascunhos de sua política externa comum, porém, Bruxelas insinuou que isso poderia ser algo a ser debatido.

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