China alerta para 'otimismo cego' com medidas anti-crise

Governo sente que é cedo para estudar a saída do pacote de estímulo fiscal de US$ 585 bilhões

AE,

24 de agosto de 2009 | 11h53

O primeiro-ministro da China, Wen Jiabao, expressou cautela nesta segunda-feira, 24, com relação à recuperação econômica do país, dizendo que os efeitos de algumas políticas domésticas de curto prazo poderão gradualmente se dissipar, enquanto as de longo prazo vão demorar a ter impacto. No encerramento de uma visita de três dias à província de Zhejiang, Wen alertou que as pessoas não devem ficar "cegamente otimistas", de acordo com um comunicado divulgado pelo Conselho de Estado. Isso indica que Pequim sente que é cedo demais para estudar a saída do pacote de estímulo fiscal de 4 trilhões de yuan (US$ 585 bilhões) que impulsionou a economia do país.

 

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Os comentários de Wen também destacam a tensão crescente no debate político da China. Enquanto o governo pede que se mantenha o curso das políticas atuais, alguns congressistas começam a argumentar em favor de uma forte contenção da expansão do crédito no segundo semestre. Wen reiterou que a China tem de manter a estabilidade nas políticas macroeconômicas, o que inclui uma moderada política de afrouxamento monetário e uma política fiscal ativa. Ele não levantou preocupações com a inflação, mas disse que a China tem de "assegurar que a liquidez no mercado seja razoavelmente ampla" e pediu o "fortalecimento do equilíbrio e da sustentabilidade do crédito para ajudar o desenvolvimento social e econômico".

 

Wen parece ter tentado minimizar a discordância, afirmando que as autoridades chineses têm de "unificar os pensamentos em torno da avaliação do governo central sobre a situação econômica e unificar nossas ações em torno da execução das decisões do governo central". Wen disse que as pressões provenientes da demanda externa fraca podem continuar por um longo tempo por causa da incerteza provocada pela crise financeira global. Além disso, segundo ele, muitos setores sofrem de excesso de capacidade e é muito difícil aumentar fortemente a demanda no curto prazo. As informações são da Dow Jones.

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