China ameaça reagir a denúncia de pirataria dos EUA na OMC

A vice-primeira-ministra chinesa, Wu Yi, afirmou nesta terça-feira, 24, que as queixas apresentadas oficialmente pelos Estados Unidos à Organização Mundial do Comércio (OMC) contra a China por pirataria terão graves conseqüências na relação entre os dois países. "É uma pena que os EUA tenham ignorado completamente o progresso significativo da China e apresentado o caso à OMS", disse Wu na apresentação de um fórum internacional sobre direitos de proteção intelectual em Pequim. "A decisão infringe o consenso estipulado para solucionar conflitos através do diálogo. Além disso, é a primeira vez que se apresentam dois casos ao mesmo tempo contra o mesmo país", destacou a vice-primeira-ministra, responsável por um mecanismo interministerial antipirataria. Além da pirataria chinesa, os EUA se queixaram formalmente no dia 9 de abril das restrições à venda de livros, música e filmes. A China limita o acesso a conteúdos estrangeiros (20 títulos ao ano, no caso dos filmes), para permitir o desenvolvimento de seus setores nacionais. A decisão "terá um enorme efeito adverso" sobre as relações entre Washington e Pequim, disse Wu, ao anunciar que seu governo decidiu "responder segundo as normas da OMC" e "lutar até o fim". Seu discurso arrancou aplausos dos empresários e políticos chineses reunidos no fórum. Apesar das medidas tomadas pelo governo chinês e dos avanços obtidos, a pirataria tem uma forte presença em todo o país. Milhares de turistas estrangeiros adquirem na China cópias falsas de roupas de marcas famosas, bolsas, filmes estrangeiros e outros artigos a preços ridículos. Com a realização do fórum de dois dias, Pequim quer mostrar ao mundo a seriedade com que enfrenta o problema, de difícil resolução, já que a pirataria emprega milhões de pessoas no país. O diretor do departamento de proteção de direitos de propriedade intelectual na OMC, Adrian Otten, elogiou os esforços nos últimos anos, mas reconheceu que ainda resta um longo caminho pela frente. "Não só esperamos que a China proteja os direitos de propriedade dos países-membros da OMC, mas também queremos proteger as patentes dos produtos chineses no mundo", ressaltou Otten. A vice-ministra Wu, a mulher mais forte do governo de Hu Jintao, lembrou que desde 2004 a China tem reforçado a luta contra a pirataria, com 15 revisões da lei e numerosas campanhas. No ano passado foram recolhidos 73 milhões de produtos pirateados.

Agencia Estado,

24 Abril 2007 | 03h25

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