China ameaça vetar acordo na Rodada Doha da OMC

A China desperta nas negociações da Rodada Doha e assusta a Organização Mundial do Comércio (OMC) ao deixar claro que "vetaria" um acordo em Genebra se fosse obrigada a abrir seu mercado para produtos industriais de outros países. Hoje, o Brasil ainda insistiu para que fosse dado ao Mercosul certas concessões no setor industrial. Mas os países emergentes não estão unidos e o bloco não conseguiu apoio nem de todos os países da região. Paquistão, Equador, Israel, Peru, Colômbia, México, Tailândia, Cingapura, Hong Kong e Costa Rica rejeitaram a proposta do Brasil.Na semana que vem, a Rodada Doha completa seis anos desde seu lançamento. Mas o debate em Genebra sobre o seu futuro está em uma situação cada vez mais difícil. Para os chineses, Pequim já fez esforços consideráveis para abrir sua economia há cinco anos quando o país entrou na OMC. Agora, quer um período mais longo que os demais países para cortar suas tarifas, o que está sendo negado por quase todos.Pequim, porém, alertou que tem orientações da cúpula do Partido Comunista para vetar um acordo se seus interesses não forem atendidos. O comentário chinês gerou apreensões entre os negociadores e serviu como um alerta de que a Rodada pode estar ainda mais distante de um acordo do que se previa. A União Européia fez questão de criticar a postura dos chineses e da ameaça de veto e destacou que atitudes como essa poderiam ter sérias conseqüências políticas. A França, porém, já havia feito a mesma declaração há um ano ao ser confrontada sobre a abertura de seu mercado agrícola.Originalmente, a China queria um prazo de uma década para abrir seu mercado. Mas reduziu o período para quatro ou cinco anos. Muitos países alegam que não poderão fazer concessões aos chineses enquanto Pequim é quem mais deve se beneficiar da Rodada. Hoje, as exportações chinesas são as que mais crescem no mundo e já somam um superávit com os Estados Unidos de US$ 232,5 bilhões.MercosulEnquanto os chineses fazem suas ameaças, o Brasil insiste na necessidade também de garantir maior flexibilidade ao Mercosul, permitindo que o bloco possa continuar com certas barreiras às importações.A África do Sul, Venezuela, Namíbia, Índia e Egito saíram em defesa do Brasil. Mas a proposta está mais uma vez dividindo os países emergentes. Os governos contrários à idéia brasileira alegam que não se pode fazer mais uma concessão ao Brasil.Europa, Japão, Canadá, Estados Unidos e Suíça também atacaram a proposta, alegando que acordos regionais como o Mercosul não poderiam ter prevalência sobre as regras multilaterais. O próprio Mercosul teve dificuldades para chegar a um acordo sobre a proposta, já que Uruguai resistia à idéia.

JAMIL CHADE, Agencia Estado

08 de novembro de 2007 | 17h48

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