JOHANNES EISELE | AFP
JOHANNES EISELE | AFP

China anuncia novas tarifas contra os EUA

A partir do dia 23, entra em vigor taxa de 25% sobre US$ 16 bilhões em 333 produtos americanos, incluindo diesel, petróleo e alumínio

Agências Internacionais

08 Agosto 2018 | 21h53

O Ministério do Comércio da China anunciou tarifas retaliatórias de 25% sobre US$ 16 bilhões em produtos dos Estados Unidos a partir de 23 de agosto. A medida é uma reação após o governo americano anunciar na terça-feira que, também a partir do dia 23, vai cobrar tarifas adicionais de 25% sobre US$ 16 bilhões em importações chinesas.

Por meio de um porta-voz, o governo chinês qualificou a decisão dos EUA de contrária à lei internacional e como algo “não razoável”. O funcionário afirmou que a intenção é salvaguardar os direitos e interesses da China no sistema multilateral. Entre os 333 itens atingidos estão carvão, diesel, petróleo e alumínio, o que fez o preço do óleo recuar mais de 2% nesta quarta-feira, 08.

As novas tarifas vêm depois de os EUA já terem imposto tarifas sobre US$ 34 bilhões em importações chinesas.

A disputa entre EUA e China pesou nos mercados. A decisão de Pequim se refletiu em queda das bolsas em Wall Street e na Europa nesta quarta, embora balanços corporativos acima do previsto tenham limitado a queda.

Todos os principais jornais estatais chineses publicaram um longo comentário da agência oficial de notícias, Xinhua, em suas primeiras páginas.

A mensagem unificada contra os EUA dizia que certas pessoas que querem brandir o “porrete da hegemonia” diante da China com tarifas para seus interesses pessoais acabarão machucando a si mesmas.

“Embora isso possa deixá-las cheias de orgulho por um momento, tornará difícil resolver desequilíbrios econômicos ou políticas caóticas e outros problemas profundamente enraizados”, afirmava o texto.

De acordo com a declaração, “o povo chinês suportou sofrimentos e crises no passado graças à sua resistência e está progredindo rumo à prosperidade”. E completava: “A economia mundial está interconectada, e ninguém pode se isolar”.

Balança comercial chinesa tem superávit

A China registrou superávit comercial de US$ 28,05 bilhões em julho, segundo a Administração Geral de Alfândega do país, desacelerando em relação ao mês anterior, quando o saldo positivo foi de US$ 41,61 bilhões. As exportações chinesas medidas em dólares tiveram expansão anual de 12,2% em julho, depois de subirem 11,3% em junho. As importações também cresceram no mês passado – 27,3% ante julho do ano passado, ganhando força em relação ao acréscimo de 14,1% de junho.

Com estoque alto, cai importação de soja pela China

As importações chinesas de soja caíram em julho em relação a junho, segundo dados divulgados nesta quarta-feira, 08. As processadoras desaceleraram as compras depois de acumularem estoques recordes em preparação para as pesadas tarifas de importação sobre o produto americano, implementadas no mês passado.

A China, maior comprador de soja do mundo, importou 8 milhões de toneladas em julho, queda de 8,0% ante volume de 8,70 milhões de toneladas de junho, segundo dados da Administração Geral de Alfândega do país. “Os chineses compraram muita soja brasileira para evitar o impacto da guerra comercial sino-americana. A pressão sobre os estoques domésticos é alta, então as importações de julho caíram um pouco”, disse Tian Hao, analista sênior da First Futures.

Empresas chinesas têm sido grandes compradoras de grãos brasileiros nos últimos meses, em antecipação à imposição de tarifas por parte de Pequim. Grandes chegadas da oleaginosa levaram o país a registrar estoques recordes de farelo de soja e colocaram as margens de esmagamento em território negativo.

A China importou 52,88 milhões de toneladas de soja nos primeiros sete meses do ano, queda de 3,7% na comparação anual.

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