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China aprova importação de subprodutos de suínos

A medida atende a um pedido feito há mais de dois anos pela Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA)

Coluna Broadcast, O Estado de S. Paulo

25 de março de 2019 | 05h00

Para suprir uma lacuna de demanda deixada pela peste suína africana (PSA), o governo chinês autorizou exportadores de carne de porco do Brasil a embarcar também a gordura comestível do animal. A medida atende a um pedido feito há mais de dois anos pela Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA). Segundo a entidade, o subproduto tem valor de mercado superior ao das carnes tradicionais. Atualmente, nove unidades frigoríficas do País estão habilitadas para exportar carne suína à China e a venda da gordura do tipo não refinada e congelada já pode ser realizada sem nenhuma inspeção adicional aos frigoríficos. A associação cita dados do Rabobank, que estima que haja espaço para preencher 10% da demanda chinesa por proteína suína, causada pela mortalidade dos animais após a PSA. Até o fim de 2019, a China pode ter um déficit de oferta de 1 milhão a 2 milhões de toneladas no processamento de suínos.

Olho nos vizinhos. A companhia holandesa de nutrição animal Trouw Nutrition está atenta aos mercados da Argentina, do Peru e da Colômbia para expandir sua atuação na América Latina por meio de aquisições ou com a construção de mais fábricas. O presidente da Trouw na América Latina, Stefan Mihailov, conta à coluna que existe a possibilidade de investir nos três países e a preferência é pela aquisição de concorrentes. Hoje, a empresa apenas distribui nestes mercados produtos fabricados na Europa.

Por aqui. No Brasil, a Trouw Nutrition cresceu 7% em volume comercializado em 2018, enquanto o mercado teve expansão de apenas 1,7%. “Estamos em um segmento de alta qualidade e pretendemos avançar junto aos produtores que buscam melhoria de produtividade. Para 2019, novamente queremos avançar três vezes acima do mercado”, estima Mihailov sobre o Brasil. Ele não revela os números.

Cautela. Líder em venda de silos e armazéns no Brasil, a Kepler Weber espera aumentar de 5% a 10% a receita líquida no segmento neste ano. Em 2018, o avanço foi de 5,4%, para R$ 421,9 milhões. O diretor-presidente, Piero Abbondi, atribui o otimismo “cauteloso” à previsão de uma grande safra de grãos, a agricultores capitalizados e à perspectiva de preços firmes para a soja e o milho. Já a cautela se deve às incertezas sobre as condições do Programa para Construção e Ampliação de Armazéns (PCA) no Plano Safra 2019/2020. “O PCA é peça-chave para o setor”, diz Abbondi. 

Concessões. O executivo aceitaria algumas mudanças no PCA, como a redução do prazo de financiamento, de dez para cinco anos, e também um leve incremento da taxa de juros, dos atuais 6,5% ao ano para cerca de 7%. Quanto ao volume de recursos, o desejo é dos mesmos R$ 2,15 bilhões do Plano Safra 2018/2019.

Agora vai? A rota por onde Santa Catarina planeja importar milho do Paraguai, pelo município de Dionísio Cerqueira, pode ser inaugurada em dois meses. Havia previsão de que isso ocorresse em julho de 2018, mas pedido de estudo de impacto ambiental pela província argentina de Missiones, por onde a carga passará por rodovia após chegar em balsas vindas do Paraguai, adiou a operação. “Já temos todas as licenças ambientais necessárias”, diz Flávio Berté, coordenador adjunto do Núcleo Estadual de Integração da Faixa de Fronteira. Empresas catarinenses apostam na rota para reduzir o custo do frete na compra do insumo. 

Ajuda, São Pedro! A obra foi adiada também porque no segundo semestre de 2018 o grupo de prefeitos e empresários dos três países envolvidos decidiu operar com uma balsa para 13 caminhões, em vez de sete. Ela vai cruzar o Rio Paraná entre Carlos Antonio López, no Paraguai, e Puerto Piray, na Argentina, para então seguir por rodovia até Santa Catarina. O problema agora é com São Pedro: o nível do rio está baixo para navegação, e espera-se que chuvas nas próximas semanas permitam o início da operação. 

Em alta. O investimento de R$ 30 milhões feito pela multinacional argentina Biogénesis Bagó já dá frutos. Sem revelar valores, o diretor-geral da Biogénesis no Brasil, Marcelo Bulman, afirma à coluna que o faturamento da empresa de saúde animal cresceu 48% no ano passado, enquanto o mercado avançou 9%. O crescimento se deu por meio da captação de novos clientes e pelo aumento das vendas para a carteira já existente. 

Ninguém segura. As vendas de implementos para caminhões e carretas da Randon destinadas a cargas do agronegócio (grãos, carnes, cana-de-açúcar e outros) foram responsáveis por 57,3% da receita líquida da divisão em 2018. Já a indústria gerou 38% da receita e mineração e construção, 4,6%. “O agro está em destaque porque o País parou (em 2018) em projetos de infraestrutura”, explica David Randon, presidente das Empresas Randon.  

Inspiração. Representantes do Movimento Pró-Logística vão aos Estados Unidos e ao Canadá em agosto para saber como eles operam ferrovias de trajetos curtos. Edeon Vaz Pereira, diretor executivo do movimento, diz que no Brasil trechos ferroviários já prontos no Sul e que ainda não são administrados por grandes empresas de logística poderiam ser utilizados como alternativa a rodovias. “Estes ramais podem não valer a pena para grandes empresas, mas interessar a outras menores.” 

 

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