China apura suposto problema em avião da Embraer, após acidente

Acidente aéreo foi o mais grave no país em quase seis anos

Gabriel Bueno, da Agência Estado,

25 de agosto de 2010 | 11h22

Investigadores chineses vasculhavam nesta quarta-feira, 25, os escombros de um avião da companhia brasileira Embraer, em busca de pistas sobre as causas do acidente no dia anterior que deixou 42 mortos e feriu 54 pessoas. A aeronave varou a pista enquanto o piloto tentava aterrissar, em meio a uma forte neblina.

O governo chinês prometeu uma investigação abrangente e rápida, no mais grave acidente aéreo no país em quase seis anos. Houve relatos de problemas técnicos anteriores com o modelo de jato envolvido no acidente - um ERJ-190 de dois motores, fabricado pela Embraer.

Sobreviventes do acidente ocorrido no fim da terça-feira (hora local) em uma zona remota no nordeste chinês disseram ter sentido solavancos fortíssimos, antes de o avião que realizava um voo doméstico da Henan Airlines atingir o solo.

A caixa-preta com dados do voo foi recuperada perto do aeroporto de Lindu, na cidade de Yichun, nordeste chinês, onde ocorreu o acidente. O avião levava 91 passageiros e cinco tripulantes.

O jornal Beijing Youth Daily informou que uma companhia maior, a China Southern Airlines, havia suspendido todos os voos noturnos de e para o aeroporto de Lindu, em setembro de 2009 - dias após o local ser inaugurado - por temores relativos à segurança.

Autoridades da aviação civil esperavam obter informações também com o capitão do voo, que sobreviveu mas ainda não consegue falar por ter vários ferimentos na face, informou a agência estatal Xinhua.

O aeroporto de Lindu fica em uma área de florestas, a 9 quilômetros de Yichun. Ele estava fechado nesta quarta-feira, informou a agência.

"O avião realmente começou a sacudir de um modo assustador - o avião sacudiu cinco ou seis vezes muito fortemente", contou um homem à China Central Television, falando de sua maca no hospital, descrevendo em seguida o pânico dos passageiros para escapar.

Os feridos estavam em quatro hospitais locais. O vice-premiê Zhang Dejiang visitou os sobreviventes - que estavam em sua maioria na frente e no meio da aeronave -, e exigiu uma investigação rápida das causas, segundo a Xinhua said.

A televisão estatal informou que uma investigação preliminar descartou qualquer falha intencional, bem como a possibilidade de uma explosão ainda no ar. A polícia provincial informou que a visibilidade estava em menos de 300 metros no momento do acidente, por causa da forte neblina.

A Xinhua afirmou que companhias aéreas utilizando modelos ERJ-190 haviam informado o governo anteriormente sobre problemas técnicos. Segundo a agência chinesa, a Autoridade de Aviação Civil da China convocou um workshop em junho de 2009 para discutir essas questões.

A Xinhua afirmou que atas do encontro - que envolveu a Kunpeng Airlines, como a Henan Airlines era anteriormente conhecida - mostram que placas da turbina partidas e erros no sistema de controle estavam entre os problemas, segundo a Xinhua.

A Henan Airlines manteve em solo três dos outros quatro modelos ERJ-190 que ela opera após o acidente, informou a Rádio Nacional da China. A rádio informou ainda que o avião que sofreu o acidente tinha apenas dois anos.

A Embraer ofereceu suas condolências aos familiares das vítimas e anunciou o envio de uma equipe de técnicos para auxiliar na investigação.

O acidente ocorreu às 21h30 (hora local) da terça-feira. A aeronave havia decolado 40 minutos antes, da cidade de Harbin, também no nordeste do país. A Henan Airlines opera sobretudo no norte e nordeste chinês. A companhia havia lançado essa rota há duas semanas, informou a Xinhua.

Entre os passageiros havia 18 funcionários do Ministério dos Recursos Humanos da China, incluindo o vice-ministro Sun Baoshu, que está em estado grave. Foi o primeiro grande desastre aéreo da China desde que um avião da China Eastern Airlines sofreu um acidente em novembro de 2004, matando 53 pessoas a bordo e duas no solo.

A companhia Henan Airlines anunciou que retirou Li Qiang do cargo de gerente geral da empresa, informou a agência estatal Xinhua. Foi nomeado para o posto de comando Cao Bo, disse a Xinhua, citando o conselho de diretores da empresa.

As informações são da Dow Jones.

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