China atenua debate antes de EUA decidirem sobre câmbio

Para evitar sanções comerciais, ministro do Comércio sugere solução por meio do diálogo sobre valor do yuan

Ricardo Gozzi, da Agência Estado,

30 de março de 2010 | 11h12

O ministro do Comércio da China, Chen Deming, aparentemente atenuou a retórica em meio ao persistente debate entre Pequim e Washington com relação ao valor do yuan e sugeriu aos Estados Unidos que busquem a solução por meio do diálogo em vez de recorrer a sanções que acabariam por minar relações comerciais mutuamente benéficas.

 

Chen observou que a cotação do yuan não solucionará os desequilíbrios comerciais sino-americanos e disse que os produtos importados da China por baixo preço representam um benefício para os consumidores dos EUA, assim como as empresas americanas beneficiam-se ao investir e oferecer seus serviços na China.

 

O aparente objetivo do comentário, divulgado simultaneamente em mandarim e em inglês, é chamar a atenção da opinião pública norte-americana para o comércio bilateral antes de 15 de abril, quando termina o prazo para que o Departamento do Tesouro dos EUA decida se declara ou não a China um país manipulador do câmbio.

 

O fato de o artigo ter sido publicado simultaneamente em mandarim e em inglês, o que é raro, reflete os esforços de Pequim de expor ao mundo sua posição em meio a pressões externas para que permita a retomada da valorização do yuan. A China interrompeu a valorização de sua moeda em julho de 2008.

 

O rótulo de manipulador cambial permitiria que os congressistas norte-americanos pressionem o governo do presidente Barack Obama a adotar medidas, como a imposição de tarifas, contra produtos importados da China.

"Dada a escala da cooperação econômica e comercial bilateral, é natural a existência de opiniões divergentes", afirma Chen em artigo publicado na página do Ministério do Comércio da China na internet.

 

Apesar de autoridades chinesas terem intensificado nas últimas semanas a defesa de sua política cambial - como quando o primeiro-ministro Wen Jiabao declarou em meados de março que o yuan não está subvalorizado e criticou aqueles que apontam o dedo para a divisa chinesa -, a tática agora - assim como a de altos funcionários do governo americano - parece ser a de esfriar o debate.

 

Na semana passada, o secretário do Tesouro dos EUA, Timothy Geithner, afirmou que os dois lados "podem trabalhar juntos na busca por uma solução para os difíceis temas" adiante. Por sua vez, o vice-ministro chinês do Comércio, Zhong Shan, afirmou durante recente visita aos EUA que "os dois países têm a sabedoria e a capacidade necessárias para solucionar os problemas existentes". As informações são da Dow Jones.

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