China aumenta taxa de juros para conter inflação

O Banco Popular da China, autoridade monetária do país, anunciou neste sábado, 17, a alta de 0,27% das taxas de juros a um ano, medida que será efetiva a partir de domingo e que tem como objetivo conter a inflação. A nova alta deixa a taxa de juros dos depósitos em 2,79% e o dos empréstimos em 6,39%.É a terceira alta deste tipo em menos de um ano. Na anterior, em agosto de 2006, o banco central chinês ordenou uma alta da mesma porcentagem para depósitos e créditos.Pequim teme uma alta pressão inflacionária depois do anúncio de que, em 2006, a economia nacional tinha subido 10,7%, acima das expectativas do governo.Em fevereiro, a alta de preços ao consumidor foi de 2,7%, muito perto do limite de 3% que Pequim consideraria motivo de alarme.Outra medida ordenada pelo Banco Popular da China para controlar uma economia excessivamente aquecida, ditada em fevereiro, foi o aumento de 0,5% do depósito compulsório dos bancos, a fim de diminuir a quantidade de dinheiro em circulação.A China também mostra preocupação com o rápido aumento de seu superávit comercial com outros países, que foi de US$ 23,76 bilhões no mês passado, o segundo número mensal mais alto de sua história.CrescimentoO governador do Banco Popular da China, Zhou Xiaochuan, já havia dito que não descartava a possibilidade de promover novas elevações na taxa de juros e que o ritmo da inflação seria um fator nessa decisão. No dia 27 de fevereiro, a China derrubou as bolsas de valores em todo o mundo. Uma das razões para a apreensão do mercado com relação ao país está ligada aos temores de a economia chinesa desacelere o ritmo de crescimento - nos últimos seis anos, o Produto Interno Bruto (PIB) do país expandiu-se a uma taxa anual média próxima de 10% e foi o principal motor da economia mundial. Nessa linha, o primeiro-ministro chinês, Wen Jiabao, fixou meta de 8% para a expansão do Produto Interno Bruto (PIB) em 2007, abaixo da taxa de 10,7% alcançada no ano passado, mas 0,5% maior do que o previsto no 11º Programa Qüinqüenal (2006-2010). PropriedadeNa sexta-feira, 16, o Congresso Nacional Popular da China (CNP, Legislativo) aprovou a lei mais discutida de sua história, que reconhece pela primeira vez a propriedade privada e equipara sua proteção à da pública e da coletiva.A Lei da Propriedade, que era debatida há 13 anos, estabelece, ao longo dos seus 247 artigos, em 40 páginas, que "todo tipo de propriedade está protegida pela lei e ninguém pode atentar contra ela".Segundo a versão oficial, um dos objetivos será proteger o setor privado, responsável por cerca de metade da riqueza nacional. O outro é acabar com as freqüentes e polêmicas expropriações no meio rural, um perigoso fator de instabilidade para o país.No campo, a propriedade é coletiva e o Estado cede a terra aos camponeses em regime de usufruto durante períodos de até 70 anos. O sistema será mantido com a nova regulamentação. Para o governo, a zona rural ainda não está preparada para a privatização da terra, devido à falta de um sistema de seguridade social.Além da histórica lei, os deputados aprovaram o imposto unificado, que aumenta as taxas cobradas das companhias estrangeiras. Elas agora serão iguais às pagas pelas empresas chinesas (25%).Matéria alterada às 13h52 para acréscimo de informações

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.