Marcos Brindicci/Reuters
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China bate Brasil em comércio com Argentina e abre espaço para parceria ainda maior

Em abril, a exportação do país vizinho ao mercado chinês cresceu 50%, enquanto para o mercado brasileiro houve queda de 57%

Cleide Silva, O Estado de S. Paulo

09 de junho de 2020 | 05h00

Pela primeira vez a China desbancou o Brasil como maior parceiro comercial da Argentina. Em abril, o país vizinho exportou US$ 509 milhões para os chineses principalmente em soja e carne bovina, um aumento de 50,6% ante igual mês de 2019. Para o mercado brasileiro, as exportações somaram US$ 387 milhões, queda de 57,3%. Já as importações continuaram favoráveis ao Brasil, mas os chineses encerram o mês com saldo positivo de US$ 98 milhões no comércio bilateral, e o Brasil teve déficit de US$ 132 milhões.

No acumulado do quadrimestre, contudo, o Brasil comprou mais que o dobro de produtos argentinos se comparado aos chineses e contabiliza saldo positivo de US$ 75 milhões, enquanto o da China é negativo em R$ 1 bilhão, segundo dados do Instituto Nacional de Estatística da Argentina e Censos (Indec). De janeiro a abril o Brasil adquiriu US$ 2,66 bilhões em produtos argentinos, 22% menos do em que em igual período de 2019, e a China ficou com US$ 1,2 bilhão, crescimento de 4,4%.

A liderança da China pode se manter nos próximos meses, já que o país asiático têm condições de financiar grande parte das compras da Argentina – que passa por grave crise financeira –, ao contrário do Brasil, que não tem muitos recursos para esse tipo de ajuda.

Soma-se a isso as constantes desavenças entre o governo de Jair Bolsonaro com a China, que pode afetar a relação comercial entre os dois países.

Ocupar espaços na região

Mesmo sendo um mercado pequeno, a Argentina é atraente para a China que, neste momento em que se recupera da pandemia “vai procurar ocupar todos os espaços em todos os mercados”, avalia José Augusto de Castro, da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB). Ele ressalta ainda que, no caso das importações, os chineses têm oferecido descontos de até 75% dependendo da mercadoria, sempre com aval de seu governo.

“No curto prazo não tem como reverter isso, pois o custo Brasil continua alto, sem perspectivas de baixar, enquando os custos da China também estão altos, mas com perspectivas de baixa”, afirma Castro. “Mas se o Brasil deixar a China colocar seus pés na América do Sul, ela vai ocupar todos os países da região.”

O principal produto da balança comercial brasileira com o vizinho são automóveis e componentes, cujos negócios despencaram primeiro por causa da crise argentina e agora em razão da pandemia da covid-19. Além disso, o governo argentino voltou a colocar barreiras burocráticas para as importações. Atualmente pelo menos 10 mil veículos, a maioria produzida no Brasil, está retida nos portos da fronteira aguardando autorização para entrar em território argentino.

Para Martín Kalos, economista e diretor de EPyCA Consultores, da Argentina, a China deve se consolidar ao longo dos próximos anos como principal destino das exportações argentinas, movimento que vem crescendo na última década.

No caso dos resultados de abril, contudo, ele ressalta que o Brasil passa ainda por uma crise econômica que se arrasta há alguns anos e também porque ainda tem dificuldades para controlar o coronavírus porque “tem problemas para gerar uma política sanitária unificada em todo o País”, enquanto a China já passou dessa fase.

Kalos ressalta que, em razão das medidas restritivas distintas em cada Estado brasileiro, a demanda local diminui e tem impactos nas exportações da Argentina, pois são economias integradas. “Muitos setores também têm produção integrada, como o automotivo, e a demanda mútua é reduzida.

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