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China busca no Brasil novos cortes de carne de frango

Embarques de peito de frango começam nesta semana

Broadcast Agro, O Estado de S. Paulo

18 de novembro de 2019 | 05h00

A China está vindo buscar aqui cortes de carnes mais nobres, uma novidade na pauta exportadora brasileira desde que o parceiro comercial viu seu rebanho diminuir por causa da peste suína africana. A coluna apurou que, neste mês, uma única indústria chinesa fechou compra inédita de 100 contêineres de peito de frango, o equivalente a 2.500 toneladas. Desde agosto, empresas nacionais já negociavam vendas deste corte – que tradicionalmente é destinado à União Europeia –, mas nunca em volume tão expressivo. Segundo a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), 2.500 toneladas é mais do que o País exportou em peito nos 12 meses do ano passado para países como Bolívia ou Trinidad e Tobago. “Isso consolida uma tendência que havia sido traçada lá atrás, de que a peste suína faria a China mudar seu mix de importação e adquirir outros cortes para atender à demanda local”, diz Ricardo Santin, vice-presidente de mercados da ABPA. Até então, em carne de frango os chineses só compravam do Brasil asas, coxa e, principalmente, pés da ave.

Prontos. Os fornecedores do lote de peito de frango para a China ainda não são conhecidos, mas uma fonte diz que a BRF está na lista, ao lado de outras duas ou três empresas. Procurada, a BRF não se posicionou. O embarque dos 100 contêineres deve começar nesta semana.

E agora? Com a conquista de mais um mercado para o peito de frango nacional, Santin, da ABPA, não descarta a possibilidade de alta dos preços deste corte no mercado doméstico. “Grande parte da produção fica no Brasil. Então não há risco de desabastecimento. Mas mudanças nos valores podem acontecer”, admite o executivo.

Tá russo. A Cooperativa Central Aurora vai concentrar na unidade de Sarandi (RS) a produção de 1,2 mil toneladas de carne suína que a China deverá demandar por mês, após ter habilitado seu frigorífico para exportar ao país. Até então, Sarandi fornecia este volume para a Rússia, que passará a ser atendida por outras unidades.

À procura. A Minerva Foods tem desde setembro um escritório em Riad, na Arábia Saudita, para promover seus produtos. Sauditas querem que empresas de alimentos se instalem no país para reduzir sua dependência das importações. “Do nosso lado, estamos estudando as possibilidades”, diz Mostafa Salah, gerente de vendas da Minerva no país do Oriente Médio. Para decidir onde investir, a empresa tem o suporte da Salic, braço de agricultura e pecuária do fundo soberano saudita, que detém 32,9% da empresa.

Freio. O Valor Bruto de Produção (VBP) agropecuária do País ficará praticamente estável em 2019. Projeção da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) com base em dados de janeiro a outubro deste ano aponta para receita de R$ 614,56 bilhões, alta de 0,1% ante os valores registrados pelo campo em 2018.

Acelerador. O resultado ainda positivo do VBP se deve ao desempenho do setor pecuário, cuja receita crescerá 7,2% este ano, para 

R$ 234,54 bilhões. O ramo agrícola deve ter um faturamento 3,8% menor, de R$ 380,02 bilhões.

Concorrente. O México deve se tornar neste ano o maior fornecedor de suco de laranja concentrado e congelado para os Estados Unidos, superando o Brasil. Os mexicanos, que têm estoques elevados do produto, acessam o mercado norte-americano sem pagar os US$ 418 por tonelada da bebida que os brasileiros recolhem. A notícia só não é tão ruim porque a estiagem deve reduzir a oferta de laranja no México e a produção de suco do país deve cair no próximo ano. 

Veja bem. Fabíola Zerbini, coordenadora regional da Tropical Forest Alliance para a América Latina (TFA), diz que a moratória da soja não limitou, como argumentam produtores, a expansão da oleaginosa na Amazônia. Fabíola ainda defende a manutenção do acordo firmado entre indústria e sojicultores, de não comprar soja de áreas desmatadas da Amazônia.

Comprovado. Com base em números da própria Associação Brasileira da Indústria de Óleos Vegetais, a Abiove, a coordenadora afirma que, no período de 2006 até 2018, a área de soja na Amazônia saltou de 1,14 milhão para 4,66 milhões de hectares. “Não é percepção. São dados que mostram que a moratória não restringe a produção; ela reorganiza o uso da terra sem desmatamento”, argumenta.

Da roça pro asfalto. Maior metrópole da América do Sul, São Paulo sediará, de 16 a 18 de novembro de 2020, o Agro Expo International. O governo paulista, organizador do evento, pretende fazer dele a principal rodada de negociação do agronegócio do País, aproximando compradores internacionais dos vendedores brasileiros. A feira será lançada no próximo dia 28.  

 

COLABORARAM ISADORA DUARTE e LETICIA PAKULKI 


 

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