China cobra mais agressividade do Brasil nos negócios

O embaixador da China no Brasil, Jian Yuande, cobrou hoje mais agressividade do empresariado e do governo brasileiros na prospecção de oportunidades de negócios com a China e na negociação de um acordo bilateral na área sanitária e fitossanitária. Yuande ainda alertou para os cuidados com a qualidade da soja exportada pelo Brasil à China, país que também tem como grandes fornecedores os Estados Unidos e a Argentina.Na semana passada, autoridades chinesas proibiram os desembarques de 59 mil toneladas de soja brasileira depois da constatação da presença de sementes e de fungicidas. Yuande elogiou a reação "importante e rápida" do ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, e afirmou que é possível chegar a uma "solução negociada" para o caso."Vocês precisam ter cuidado com a qualidade da soja. Nós importamos soja transgênica do Brasil, mas também da Argentina e dos Estados Unidos. Se a qualidade não é garantida, vamos buscar os outros fornecedores", declarou.AlertasEle alertou também que os exportadores brasileiros de carnes - bovina, suína e de aves ? e de café, entre outros, estão perdendo oportunidades abertas pelos costumes alimentares novos e tradicionais da China. "Todo mundo conhece o bife australiano na China. Mas poucos sabem do bife brasileiro, embora o Brasil seja o número 1 em produção e exportação. Com o café é a mesma coisa. O Brasil vende umas poucas toneladas, muito insignificantes. A publicidade do café da Colômbia chega a todo mundo, mas não se vê nenhuma propaganda do café do Brasil", completou.Yuande mencionou ainda que a China vê no Brasil um parceiro estratégico e uma economia com grande complementaridade em relação à chinesa. Conforme indicou o embaixador, o interesse chinês no Brasil está voltado no investimento em setores produtivos que possam abastecer o mercado chinês o siderúrgico, o agropecuário, o de celulose e no de telecomunicações.O embaixador mencionou que o governo chinês deverá apoiar a iniciativa de suas empresas privadas de comprar terras no Brasil para o cultivo da soja. Também informou que as discussões sobre possíveis investimentos chineses nas obras de ligação do Brasil com portos no Oceano Pacífico transcorrem informalmente. "Se o governo brasileiro apresentar uma proposta formal, vamos discutí-la", afirmou.

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