NG Han Guan/AP
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China cresce 10,3% e investidores temem risco de aperto monetário

Expansão do PIB no maior nível em 4 anos e inflação em alta reacendem debate sobre necessidade de novas medidas de restrição ao consumo

Cláudia Trevisan, O Estado de S.Paulo

21 de janeiro de 2011 | 00h00

O PIB chinês cresceu acima do esperado no quarto trimestre de 2010 e fechou o ano com expansão de 10,3%, o mais alto patamar desde 2007. A aceleração surpreendente e a inflação de 4,6% em dezembro reacenderam o debate sobre risco de superaquecimento e a necessidade de novas medidas de aperto monetário, com potencial efeito negativo sobre a atividade produtiva.

Os dados assustaram os investidores e levaram a quedas nas Bolsas de Xangai (-2,92%), Hong Kong (-1,7%), Tóquio (-1,13%), Sidney (-1,05%) e Seul (-0,43%). Depois de desacelerar de 10,3% para 9,6% entre o segundo e o terceiro trimestres, o PIB cresceu 9,8% no quarto trimestre, apesar das medidas adotadas pelo governo para esfriar a economia.

O PIB fechou o ano em 39,798 trilhões de yuans (US$ 6,05 trilhões). A cifra consolidou a posição da China como segunda maior economia do mundo, posto ocupado pelo Japão por quatro décadas, até o ano passado.

O bom resultado foi acompanhado da pressão sobre os preços, que registraram alta acumulada de 3,3%, acima da meta oficial de 3%. O custo dos alimentos foi o principal responsável pela inflação, com alta de 7,2% no ano. A alta nos preços é um pesadelo para os líderes chineses, que temem o impacto negativo do aumento do custo de vida sobre o humor da população, especialmente em um segmento essencial como comida.

Durante a divulgação dos resultados ontem, Ma Jiantang, do Escritório Nacional de Estatísticas, afirmou que o governo tem "total confiança" em sua capacidade de manter a inflação sob controle em 2011.

Salários. Entre os fatores que elevaram o índice, Ma citou a política de expansão monetária nos países ricos - que estimulou o fluxo de capitais para nações em desenvolvimento - e os aumentos de salários na China.

No começo de dezembro, os líderes chineses anunciaram que passariam a adotar uma política monetária "prudente" em substituição à "moderadamente frouxa" que estava em vigor até então. A mudança colocou o combate à inflação em primeiro plano e abriu caminho para o aperto monetário.

Só nos últimos dois meses o Banco do Povo da China (banco central) aumentou em quatro ocasiões o depósito compulsório dos bancos, que é a quantidade de dinheiro que eles devem manter imobilizada, sem emprestar a seus clientes. O objetivo é reduzir o volume de moeda em circulação e limitar o capital disponível para financiamentos.

Imóveis. O governo também impôs restrições ao segmento imobiliário, na tentativa de conter a alta de preços que ameaça criar uma imensa bolha, cujo estouro teria consequências negativas sobre o sistema bancário e o bolso dos proprietários.

A economista-chefe do banco UBS na China, Wang Tao, acredita que é infundado o temor dos investidores de que Pequim adotará forte aperto monetário.

Segundo ela, o governo ainda está preocupado com a frágil recuperação dos países ricos e acredita que a origem da inflação é a alta no preço dos alimentos.

Mas eventuais medidas que o governo venha a adotar podem ter impacto sobre o excesso de liquidez na economia chinesa. Durante 2010, os bancos concederam financiamentos no valor de 7,9 trilhões de yuans (US$ 1,16 trilhão), superando a meta de 7,5 trilhões de yuans que havia sido fixada pela autoridade monetária. No ano anterior, o volume de novos empréstimos foi de 9,5 trilhões yuans (US$ 1,4 trilhão).

Impulsionada pela injeção de capital, a atividade industrial cresceu 15,7%, índice 4,7 ponto porcentual superior ao do ano anterior. Depois de cair 16% em 2009, as exportações se recuperaram em 2010, com alta de 31,3% e US$ 1,578 trilhão. Refletindo o forte ritmo de atividade na China, as importações cresceram ainda mais, 38,7%, e somaram US$ 1,395 trilhão.

Com alta de 18,7% em relação ao ano anterior, as reservas internacionais chinesas atingiram US$ 2,85 trilhões, dos quais US$ 900 bilhões estão aplicados em títulos do Tesouro dos EUA.

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