China cresce 10,6% no 1º trimestre e inflação assusta

Crise financeira nos EUA não prejudica economia chinesa; preços sobem 20,6% nos três primeiros meses do ano

Cláudia Trevisan, de O Estado de S. Paulo,

16 de abril de 2008 | 09h02

A China manteve o crescimento de dois dígitos no primeiro trimestre do ano, apesar das nevascas que atingiram o país no período e da desaceleração econômica mundial provocada pela crise financeira nos Estados Unidos. Veja também:Especial sobre a crise de alimentos Líderes mundiais pedem urgência contra inflação de alimentos Álcool brasileiro tem menos impacto em alimentos, diz Bird  Celso Ming explica a alta da inflação  Produção maior é saída contra inflação, diz LulaONU pede medidas urgentes contra inflação de alimentosEntenda os principais índices de inflação  O Produto Interno Bruto (PIB) do país asiático teve expansão de 10,6%, índice que é 1,1 ponto percentual inferior aos 11,7% registrados em igual período de 2007, segundo anúncio feito nesta quarta-feira, 16, pelo porta-voz do Escritório Nacional de Estatísticas da China, Li Xiaochao. A grande novidade dos números divulgados é a forte aceleração no consumo. Entre janeiro e março, as vendas no varejo tiveram alta de 20,6%, a maior dos últimos anos, o que contribuiu para o crescimento, mas também ajudou a pressionar a inflação. O índice de 20,6% é 5,7 pontos percentuais superior ao obtido nos três primeiros meses de 2007. O Índice de Preços ao Consumidor (IPC) fechou o trimestre com alta de 8%, a maior em quase 12 anos. Depois de atingir 8,7% em fevereiro, a inflação cedeu um pouco em março, para 8,3%. Em entrevista coletiva, Li ressaltou que a prioridade do governo é reduzir o ritmo das remarcações e aproximar a inflação da meta de 4,8% estabelecida pelo governo para todo o ano.  Apesar de ter diminuído ligeiramente em relação a fevereiro, o índice de março é preocupante porque indica uma aceleração nos preços de bens manufaturados, que subiram 8% no mês e 6,9% no trimestre. Até agora, o governo atribuía o aumento da inflação aos alimentos, que subiram 21% de janeiro a março e deram a maior contribuição à alta de preços. "É verdade que os manufaturados subiram de maneira acentuada. Vamos ter que estudar com mais profundidade o impacto que esse movimento terá no IPC", declarou o porta-voz. Yuan Entre os fatores que contribuem para a inflação, Li apontou o aumento dos custos do trabalho na China, a valorização do yuan em relação ao dólar e a alta no preço das matérias-primas. Desde o início do ano, o yuan já ganhou 4,5% em relação ao dólar, em um movimento que afetou a balança comercial do país. As exportações atingiram US$ 305,9 bilhões de janeiro a março, com alta de 21,4% _6,4 pontos percentuais abaixo do índice dos três primeiros meses de 2007. Na mão contrária, as importações subiram 28,6%, um aumento de 10,4 pontos percentuais, e ficaram em US$ 264,5 bilhões.  A alta das importações também está ligada ao maior consumo interno. Na avaliação de Li, os fatores que impulsionam as vendas são o aumento da renda, as medidas de combate à pobreza adotadas pelo governo, o maior índice de urbanização, as mudanças da nova Lei Trabalhista e a ampliação da rede de seguridade social. "Quando a renda das camadas mais pobres aumenta, isso se transforma em consumo", afirmou.Do lado das exportações, Li afirmou que houve queda nos embarques para os Estados Unidos e União Européia e aumento das vendas para os países em desenvolvimento, com destaque para o Brasil. Segundo Li, é difícil prever o comportamento da economia no futuro, em razão da incerteza que cerca o mercado mundial. Mas o crescimento de 24,6% nos investimentos em ativos fixos no primeiro trimestre em relação a igual período do ano passado é uma indicação de o ritmo de atividade continuará aquecido _o percentual é 0,6 ponto percentual superior ao do primeiro trimestre de 2007. O setor de construção civil registrou alta de 32,3% nos investimentos, 5,4 pontos percentuais a mais que em igual período do ano passado. Há uma semana, a China anunciou os números revisados do PIB do ano passado, segundo os quais o crescimento do país foi de 11,9% e não de 11,4% como estimado anteriormente. O Fundo Monetário Internacional estima que o PIB da China fechará 2008 em US$ 3,94 bilhões, o que colocará o país asiático em terceiro lugar no ranking das maiores economias do mundo, acima da Alemanha e abaixo apenas de Estados Unidos e Japão.

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