China cresce 11,5% no 1º semestre

Expansão de 11,9% no segundo trimestre é a maior dos últimos 12 anos; para governo, país precisa desacelerar

Paulo Vicentini, O Estadao de S.Paulo

21 de julho de 2007 | 00h00

Quando o porta-voz do Escritório Nacional de Estatísticas (NBS, na sigla em inglês), Li Xiaochao, irrompeu a sala onde concederia sua concorrida entrevista coletiva na manhã de ontem, levava no bolso números bombásticos sobre o desempenho da economia da China. De acordo com o órgão, o Produto Interno Bruto (PIB)cresceu 11,5% no primeiro semestre deste ano em relação ao mesmo período de 2006. Mais: a economia expandiu-se 11,9% entre abril e junho - a maior taxa trimestral dos últimos 12 anos.Li também deu um basta nas especulações em torno do comportamento da inflação, ao anunciar uma alta de 4,4% no custo de vida dos chineses em junho - o resultado mais alto desde setembro de 2004 (ler mais ao lado).Nesse ritmo, a China deverá ultrapassar a Alemanha e tornar-se a terceira maior economia do planeta em 2007. O mercado agora aguarda medidas para conter o acelerado ritmo de crescimento. O governo já anunciou que tomará as ''''adequadas medidas de macrocontrole econômico''''. Salientou que virão, mas não transformarão o modelo de desenvolvimento.''''O desenvolvimento econômico manteve um cenário estável e rápido desde o princípio do ano, e o acelerado crescimento se deveu principalmente às exportações e às mudanças nas tendências do consumo doméstico'''', observou Li.Segundo o NBS, a soma das riquezas geradas pela China totalizou US$ 1,4 trilhão entre janeiro e junho. Durante esse intervalo, os investimentos em ativos fixos protagonizaram o mesmo papel que vêm desempenhando desde 2001: responder por aproximadamente 49% da expansão da economia. O órgão revelou que os investimentos nesse setor somaram US$ 716 bilhões, com um crescimento de 25,9% na comparação com o mesmo período de 2006.Os centros urbanos absorveram US$ 613 bilhões, 26,7% a mais no comparativo anual, ao mesmo tempo que as zonas rurais registraram um aumento de 21,5%, para US$ 110,6 bilhões. ''''O governo chinês é capaz de controlar a expansão dos investimentos em ativos fixos para manter um sadio desenvolvimento econômico'''', frisou Li, ao apontar a queda de 3,9 pontos porcentuais no ritmo de crescimento dessa classe de investimentos ante o mesmo período do ano passado. O que ele não mencionou é que o governo central vem advogando há anos a redução da expansão dos investimentos em ativos fixos para a faixa de 18%.Na avaliação dos analistas, a invejável capacidade de investimentos em ativos fixos dos chineses é oriunda do excesso de liquidez do sistema bancário, que segue alimentado, sobretudo, pela vasta poupança interna (atualmente estimada em US$ 4,89 trilhões) e pelos gigantescos superávits no comércio exterior, que chegou a US$ 112,5 bilhões no primeiro semestre deste ano, com uma alta de 84% no comparativo anual.

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